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Esgoto gera 11 queixas diárias no DAE

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 5 min

No quintal da casa de Juraci Machado Gonçalves, 64 anos, as frutas que dão nos pés de caqui, caju, pêssego e acerola não são aproveitadas, a não ser pelos passarinhos que ali rondam. Qual o motivo de tanto desperdício? Ela mesma explica olhando para as manchas de cloro ao chão. Há pelo menos 30 anos, a moradora diz sofrer com o retorno de esgoto no quintal e dentro da casa, localizada na quadra 1 da rua José Maciel Ribeiro, no Parque Residencial Colina Verde, zona nordeste de Bauru.

A situação denota um caso extremo e isolado, mas remete a um drama que acomete mensalmente dezenas de bauruenses. Para se ter ideia, os problemas com esgoto na cidade, como retornos e vazamentos, geram em média 11 reclamações por dia no serviço de atendimento do Departamento de Água e Esgoto (DAE).

O número só não é maior, explica a própria autarquia, porque o outono não é um período predominantemente chuvoso, condição que favorece o surgimento de problemas na rede (leia mais abaixo).

Para fins comparativos, o registro representa quase a média total das reclamações de vazamentos de água na cidade, que, hoje, chegam a 15 queixas.

Dessa forma, o DAE afirma que tem trabalhado incansavelmente e até desviando as equipes para atender a demanda, já que os problemas envolvendo esgoto são considerados prioridade pela autarquia. O problema só “perde” para os vazamentos de água e afundamentos registrados em ruas e avenidas de grande fluxo.

24 horas

“Quando o problema é retorno de esgoto, procuramos atender na mesma hora em que o registro é feito. Já os problemas com PV (Poço de Visita) são resolvidos em, no máximo, 24 horas”, afirma a assessoria de comunicação da autarquia.

De fato, segundo afirma a dona de casa Juraci Gonçalves, os técnicos são sempre rápidos a aparecer, porém, ela já perdeu as esperanças de que o problema possa ter solução em sua casa.

“Dia sim e dia não o esgoto retorna. Há 30 anos, isso acontece. Mas, ficou ainda mais frequente depois que inauguraram um condomínio do Minha Casa Minha Vida aqui no bairro. A rede permaneceu a mesma e não suporta mais”, reclama Juraci.

“Estamos expostos às doenças. Sempre aparecem ratos em casa. Não aguentamos mais, estamos ficando doentes. Com esse cheiro de esgoto dentro de casa, não dá para se alimentar direito. Meu marido está de cama e eu não posso mais passar nervoso. Já operei o coração duas vezes”, apela a mulher, que também sofre de depressão.

Demorado

Os problemas envolvendo o esgoto, segundo o DAE, são exatamente os que tomam o maior tempo de trabalho das equipes.

No início do mês, por exemplo, equipes de manutenção da autarquia trabalharam cerca de seis horas para desobstruir uma rede de esgoto na quadra 3 da rua Benedito Lúcio dos Santos, esquina com a rua Flávio Aredes Lopes, no Jardim Tangarás.

Na rede, foram encontrados blocos de concreto, pedras, ferros e até um pneu que impediam o fluxo normal do esgoto, ocasionando o extravasamento em vários poços de visita, entupimento das caixas de inspeção e retorno de esgoto para dentro dos imóveis da região.

Também na última semana, na rua Taquarussu, na Vila Aimorés, técnicos do DAE encontraram grande quantidade de gordura despejada nas tubulações de esgoto. Para executar os serviços de desobstrução, foi necessária mais de quatro horas de trabalho, a utilização do hidrojato (máquina utilizada para desobstruir as redes com jatos de água) e também de um caminhão-pipa com água não potável para lavar os resíduos que ficaram acumulados na rua e calçada.

A obstrução das redes por lixo despejado irregularmente diretamente em ralos, bueiros, vasos sanitário e pias, por sinal, é a maior vilã das tubulações do DAE. Apesar de considerado prioridade, entretanto, o serviço de reparo na rede de esgoto não é feito por uma equipe específica. Ou seja, depende do revezamento do pessoal que também lida com os vazamentos e problemas de água.

  • Serviço

Os casos de retorno de esgoto devem ser comunicados através do 0800-7710195, que recebe ligações apenas de telefone fixo, ou 3235-6140 e 3235-6179 para ligações feitas por aparelho celular.


No Bela Vista, esgoto ‘brotou’ na rua

Na quadra 21 da avenida Rui Barbosa, duas cenas curiosas. Uma delas é a árvore bem no meio do asfalto – que foi tema de reportagem do JC no dia 1 de março. A outra, porém, cheira bem pior. Em meio ao pavimento, “brotou” um esgoto. Os moradores acionaram o jornal para reclamar do odor.

De acordo com o DAE, a reclamação foi registrada no dia 28 de abril. Entretanto, a programação é de que, ainda esta semana, seja feito o conserto, que demandará abrir toda a rua.


As chuvas

Quando as águas das chuvas entram na rede de esgoto, provocam os extravasamentos nos PVs e retornos através de pias, ralos e vasos sanitários. Por isso, o DAE aponta como essencial que os imóveis tenham duas saídas.

Uma delas seria a de esgoto, que recolhe os resíduos do vaso, chuveiro, pias e tanque. A outra de água da chuva, que deve ser direcionada para uma canalização independente e conduzido até sarjetas e galerias de águas pluviais.


E a casa de Juraci?

Questionado sobre o problema na casa da dona Juraci, o DAE respondeu que a queixa sobre retorno de esgoto da residência aconteceu no último domingo e foi atendida.

“Houve vazamento no PV e retorno de esgoto. Imediatamente após o registro, equipes foram ao local, desobstruíram a rede de esgoto e executaram a desinfecção do quintal do imóvel, que é de terra, com produto químico (cal)”, frisa a autarquia, por meio de nota.

Estudos ainda

Quanto ao problema da insuficiência da rede frente ao crescimento populacional do bairro, apontado pela moradora, o DAE informou que estuda aumentar o diâmetro da tubulação no local.

“É um projeto complexo, portanto não será realizado neste ano. A nova tubulação deverá passar por baixo da rodovia. A ideia é aumentar o diâmetro da tubulação de seis polegadas para dez polegadas, no mínimo, além de trocar a manilha por outro material”, responde a assessoria de comunicação da autarquia.

 

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