Esportes

Basquete: renovação geral

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 4 min

Quioshi Goto

Destaque nos chutes do perímetro, Fischer venceu duas vezes ‘Torneio de Três Pontos’ do NBB

O Paschoalotto/Bauru começou a se movimentar no início da noite de ontem para formar o elenco da temporada 2014/15. Após o título paulista, o terceiro lugar na Liga Sul-Americana e ainda uma colocação entre os oito primeiros no último NBB, o time bauruense anunciou a saída de cinco jogadores.

O armador Lucas Avelino, os alas Fernando Fischer e Josimar Ayarza, o ala/pivô Andrezão e o pivô Lucas Tischer, têm contrato terminando junto com o encerramento desta temporada, não estão nos planos do Bauru Basket e estão, portanto, livres para negociar com outros clubes.

Dos cinco liberados ontem, após reunião realizada na sede da equipe, Ayarza e Tischer chegaram nesta temporada – Ayarza jogou apenas a Sul-Americana e o Nacional. Andrezão estava no time desde 2012, e Lucas Avelino há três temporadas. Já Fernando Fischer construiu longa história com a camisa do Dragão.

Capitão

Revelado pelo Hebraica, tradicional clube de São Paulo, sua cidade natal, Fischer chegou a Bauru em janeiro de 2009, após fazer bom Campeonato Paulista no ano anterior defendendo o Guarujá, onde foi comandado pelo treinador Hudson Previdelo, bauruense que voltava à Cidade Sem Limites para ser auxiliar técnico de Guerrinha.

Exímio chutador de três pontos, logo caiu nas graças da torcida bauruense, quando a equipe ainda atuava no antigo Ginásio da Luso. Seu primeiro campeonato por Bauru foi o NBB 2009, obtendo média de 14 pontos por jogo e três chutes certeiros do perímetro a cada partida, aumentando o índico nos anos seguintes (veja quadro acima).

No NBB 2012/13, sofreu com uma lesão no tendão do pé direito que já o incomodava há duas temporadas, e passou por cirurgia em março do ano passado, atuando em apenas 13 jogos, com média de 12 pontos/jogo. Nesta última temporada defendendo a camisa bauruense, foi um atleta que se destacou como arma do técnico Guerrinha no revezamento, entrando no decorrer das partidas e anotando bolas importantes na campanha do título paulista.

“Eu voltei a jogar após uma lesão em que apenas 20% dos jogadores de basquete conseguem retornar, segundo índices dos Estados Unidos. Então tenho pretensão de seguir jogando, quero ficar no Brasil, até porque o basquete aqui está em um nível bom, mas por enquanto os times ainda estão se acertando. Não sou atleta de fazer leilão, em breve quero definir para onde vou”, explica Fischer. O Campeonato Paulista, próxima competição importante no cenário nacional após o NBB, começa em 7 de agosto e deve se estender até 19 de outubro.

Recorde

Fernando Fischer deixa o Bauru Basket com uma marca igual apenas a do armador Larry Taylor e do ala Gui Deodato: são os únicos a ter jogado as seis edições do Novo Basquete Brasil (NBB) pela equipe – Larry e Gui superam Fischer apenas nas participações no Estadual, uma vez que já estavam aqui em 2008. Fischer fez 164 jogos pelo Dragão apenas no Nacional, e mais de 300 jogos, se computados duelos de Campeonato Paulista, Liga Sul-Americana, Liga das Américas, Interligas e outras competições. Teve como principais prêmios individuais dois títulos do Torneio de Três Pontos, em 2009 e 2011, certame disputado paralelamente ao Jogo das Estrelas do NBB.

Sobre seus cinco anos e meio atuando pelo Dragão, o ala cita alguns momentos marcantes: “Essa última vitória contra o Flamengo, em que eu pude contribuir com uma boa pontuação foi muito marcante para mim. Teve outros jogos, vitórias sobre o Brasília em casa, aquela vitória diante do Quimsa na Panela pela Liga das Américas que classificou o time para a segunda fase, eu estava com o dedo machucado e mesmo assim consegui jogar. Se for falar, são muitos momentos”, recorda.

Na noite de ontem, torcedores do Bauru iniciaram campanha na Internet para que a camisa 14, utilizada pelo ex-capitão Fischer seja aposentada pelo clube, prática comum com grandes ídolos de franquias na NBA (Liga Norte-Americana), porém, pouco usual no Brasil.

Bauruense

Morando em Bauru desde janeiro de 2009, Fischer adotou a cidade como sua primeira casa. “Eu não considero Bauru minha segunda casa, mas sim minha primeira. Posso agora ir para outro time, jogar por outra equipe, mas vou sempre voltar. Quando encerrar a carreira quero morar aqui”, disse ao JC. “E quem sabe eu ainda não volte ao Bauru Basket, não como jogador, mas no futuro em alguma função na comissão técnica ou diretiva”, comenta, deixando a expectativa para a torcida bauruense. “Mas só tenho a agradecer. De maneira geral minha passagem aqui foi positiva, acho que tanto para mim como para o clube. No começo do projeto ajudei até a ir atrás de patrocínio, sempre participei das ações sociais, me envolvi com a torcida, e sempre gostei de jogar aqui”, finaliza.


Quem fica


Os armadores Larry Taylor e Ricardo Fischer, o ala Gui Deodato e o pivô Murilo Becker, todos com contrato até junho de 2016, já estão garantidos para as próximas duas temporadas. Gustavo Scaglia também tem contrato por igual período, enquanto Felipe Vezaro e Gabriel Oliveira têm mais um ano de vínculo com o clube e também seguem.

O ala/pivô argentino Fabian Barrios, destaque nos playoffs do Paulista e NBB, segue negociando com a diretoria bauruense, porém, ainda não houve um desfecho. Já o pivô Mathias está próximo de um acordo, que pode ocorrer na próxima semana. Quanto a contratações, a diretoria reitera que não há nenhum atleta assinado com Bauru.

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