Bairros

Rara, poda de raiz se torna impasse

Por Marcus Liborio | Especial para o JC
| Tempo de leitura: 3 min

Quando se fala em raízes de árvores, associa-se ao subterrâneo. Porém, a natureza, às vezes, faz diferente. É o caso de uma flamboyant localizada no cruzamento da avenida Comendador da Silva Martha com a Azarias Leite, em Bauru. As raízes da árvore centenária já estão sobre a calçada.

A Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan) fez uma notificação para que os moradores consertem a calçada, contudo, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) não autorizou a poda da raiz.

Embora seja algo raro, em algumas ocasiões, a Semma recomenda ou faz ela própria a poda de raízes. No entanto, a ação é vista com cautela. “Pode desestabilizar a árvore, tanto no seu equilíbrio quanto na sua sobrevivência. Seria cortar a estrutura da própria árvore. Não é aconselhável. Lógico que, em algumas situações, é necessário, mas procuramos evitar”, explica Valcirlei Silva, secretário do Meio Ambiente.

Ele aponta ainda que não aparece com muita frequência esse tipo de problema, mas, tendo em vista o crescimento da cidade, pode haver um aumento na necessidade desse trabalho. “Quando há casos assim, é preciso que tenha acompanhamento florestal, seja de um biólogo ou até mesmo um agrônomo. Com a supervisão desses profissionais, o trabalho de poda da raiz é feito de forma correta e evita problemas ambientais”, pontua.


Polêmica

A flamboyant da Comendador da Silva Martha fica em frente ao Santuário Nossa Senhora de Fátima. Trata-se de uma espécie centenária que, de tão grande, avançou por cima da calçada.

O padre responsável pelo santuário, Giuliano Alamino, disse que a Semma não autorizou o corte da árvore e, por conta disso, corre o risco de ser multado pela Seplan.

“Já recebi notificação da Seplan e preciso arrumar a calçada e fazer uma rampa de acesso para pessoas com deficiência. Caso eu não faça isso, serei multado. Mas não tem como arrumar com as raízes da árvore ali”, reclama Alamino.

A arte educadora Regina Ramos, que faz um trabalho artístico com fantoches e diversas atividades para as crianças do santuário, compartilha da opinião do padre. “O local está intransitável. Para ter uma noção, não tem condições de um cadeirante passar pela calçada”, observa. Além de tudo, moradores reclamam que as raízes oferecem o risco de quedas e acidentes.

De acordo com Valcirlei Silva, da Semma, um engenheiro do órgão já teria prestado orientação aos responsáveis pela calçada em frente ao santuário. “Uma das possibilidades sugeridas seria diminuir um canteiro que tem lá para alargar a calçada. Mas estamos pensando em alternativas para solucionar o problema sem que seja preciso podar a árvore”, disse.

O titular da pasta complementou que uma reunião foi realizada esta semana com os representantes do santuário e engenheiros para discutir o assunto. A discussão, segundo a arte educadora Regina Ramos, surtiu resultado positivo.

“Será aumentado o espaço do cercado da árvore. O local não servirá mais para o trânsito de pedestres. Já a calçada, será relocada a poucos metros dali, para ser possível fazer a rampa de acesso a deficientes. Vamos comunicar a Seplan e solicitar a presença do Departamento de Água e Esgoto (DAE), para acertar uma boca de lobo que se formou ao lado da árvore”, finalizou Ramos.


Seplan afirma que o prazo para regularização deve ser prorrogado

A maior preocupação do padre Giuliano Alamino é com a multa por descumprir a notificação da Seplan, cujo valor é de R$ 600,00. O titular da pasta, Paulo Ferrari, contudo, reconhece o impasse que se formou e informa que o prazo de regulamentação da calçada pode ser prorrogado.

“É possível protocolar um recurso explicando que foi aberto um processo na Semma e pedir prazo de 60 ou 90 dias, de acordo com a estimativa de tempo para cumprir a notificação. Precisa ser justificado”, explicou.

Caso o responsável pela calçada seja multado, haverá nova fiscalização da Seplan e, se o problema persistir, o caso é encaminhado à Justiça. “O Poder Judiciário tem aplicado multa diária em quem não tem calçada”, reforça Ferrari.

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