O editorial do Jornal da Cidade de quinta-feira, dia 3 de abril de 2014, foi uma bela e fiel aula de história do competente advogado dr. Venício Augusto Francisco. Se as escolas quiserem um resumo isento de paixões, ódio, rancor e revanchismo do que foi marco de 1964, é só sugerirem a leitura aos seus alunos.
A Comissão da Verdade de Bauru, na pessoa do dr. Arthur Monteiro Junior, deve ser clara e objetiva, para não transmitir ódio, rancor, ofensas e negativismo. Faz-se necessário, para equilibrar a balança, uma boa contribuição, como um tema pedagógico. Se para um lado o golpe foi uma legítima defesa de um inimigo declarado e iminente, do outro lado foi um risco que o pessoal de punho cerrado escolheu que era necessário correr naquele momento histórico. Mas essa lembrança deve servir para nos unir, e não para com revanchismo, nos separar.
O renomado advogado Ives Gandra da Silva Martins, em seus editoriais, mostrou recentemente em artigo publicado no jornal O Estado de São Paulo: "Comparados com os paredons de Fidel Castro, que sem julgamento fuzilou milhares de cubanos, os militares brasileiros parecem escoteiros destreinados apartando um conflito de subúrbio".
Uma colaboração para o dr. Arthur Monteiro Junior na tentativa de convencê-lo a rever o lado triste e cruel da realidade: o ministro Torquato Jardim, em palestra realizada no seminário sobre reforma política (2 de abril 2014), com a coordenação do dr. Ives Gandra, ofereceu dados alarmantes. O presidente Barack Obama, numa economia quase 8 vezes maior que a do Brasil, tem apenas 200 cargos comissionados, enquanto a presidente Dilma tem 22 mil. O difícil de entender é que se calam diante dos traumas do presente (falta de leitos, pacientes em corredores dos hospitais, saneamento básico e outras prioridades), porém, só se preocupam com traumas do passado (60 anos atrás).
Temos que observar causídicos imparciais, não podemos ser coniventes com a corrupção, a mentira, o populismo e a tentativa de perpetuação no poder. A alternância é saudável.
Seja um eterno aprendiz, para depois, com humildade, dizer que é feliz, e para evitar o "fale o que não deve e ouve o que não quer".
Cicero Scarpelli