Éder Azevedo |
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Maria Bueno, diretora do Sindicato dos Bancários, discursou aos funcionários que protestaram |
Funcionários da Caixa Econômica Federal (CEF) terceirizados pela empresa PH Service cruzaram os braços na manhã de ontem, em Bauru, em protesto contra atrasos salariais. Ao todo, cerca de 30 funcionários, entre telefonistas, recepcionistas, carregadores e garagistas, estão sem os salários e benefícios como vale-transporte e vale-alimentação, referente ao mês de maio.
A situação ficou ainda pior já que a empresa em questão, que assumiu o serviço do banco em regime emergencial no ano passado, teria fechado as portas de seu escritório na última segunda-feira, sem nenhum aviso prévio aos trabalhadores.
Há quatro dias, uma situação parecida envolvendo a mesma empresa, que possui filiais em vários Estados, ocorreu em Belo Horizonte, quando funcionários de uma estação de metrô também pararam por falta de pagamento.
O JC tentou contato com o grupo PH Service, mas nenhum dos oito telefones disponíveis no site da empresa foram atendidos.
Prevista
O protesto dos funcionários terceirizados da Caixa, que ocorreu por volta das 10h em frente à sede da gerência logística do banco, na rua Agenor Meira, teve apoio do Sindicato dos Bancários de Bauru e Região/CSP-Conlutas (leia mais ao lado).
Para Maria Bueno, diretora do sindicato, a situação era prevista. “Nós alertamos a Caixa dizendo que isso iria ocorrer com a terceirização. Essas empresas jogam um valor muito baixo para ganhar a licitação e, depois de assumir o serviço por algum tempo, somem”, aponta a diretora.
A PH Service assumiu a responsabilidade pelos serviços e funcionários em questão da Caixa há cerca de um ano, após suas duas últimas antecessoras também deixarem o posto. Uma delas, inclusive, virou alvo de ação na Justiça. “Em cinco anos, essa é a terceira empresa que assume e nos deixa na mão. Não dá para viver nessa agonia. Nem meu FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) eles depositaram em todo esse tempo”, comenta uma funcionária de 37 anos, que pediu para não ser identificada.
Desvio de função?
Além de reclamar dos atrasos no salário, com data programada para o sexto dia útil deste mês (8 de maio), parte dos funcionários também alegava estar sendo vítima de desvio de função.
“Trabalho digitalizando documentos para o gerente, inclusive usando a senha dele, acho que devem ser sigilosos”, comenta uma funcionária. “Sou recepcionista e mexo só com documentos do Minha Casa Minha Vida”, acrescenta outra trabalhadora.
Por meio da assessoria de comunicação, a Caixa respondeu que “cumpre rigorosamente o contrato de prestação de serviço e está tomando as providências previstas para assegurar o direito dos trabalhadores”.
O banco esclarece ainda que orienta sistematicamente seus gestores sobre a política de relacionamento com os colaboradores com objetivo de evitar qualquer desvio de função.
Representatividade
Ao JC, os funcionários da PH Service disseram ter acionado o Sindicato dos Empregados das Empresas Prestadoras de Serviço (Sindeepres), que representa de fato a categoria em questão, mas a entidade não teria se manifestado.
“Pediram apenas para que eles esperassem”, comenta Maria Bueno, explicando a participação do Sindicato dos Bancários no protesto junto aos funcionários.
Contatado pelo JC, um representante do Sindeepres em Bauru disse que o problema em relação à PH Service tem afetado trabalhadores em todo o Estado e que o sindicato tem tomando as medidas jurídicas cabíveis. Além disso, a regional do Sindeepres afirma que desconhecia qualquer ação em frente à agência ontem.
