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Digital e moderno, mas público

Henrique Perazzi de Aquino
| Tempo de leitura: 2 min

Leio que os Correios estão adentrando a era digital de cara nova, com nova marca, procurando se readequar em tudo, principalmente nos serviços prestados à população. O fato marcante, percebido pelo próprio pessoal interno da empresa, é que existia num passado não tão remoto um atendimento que era um primor, destaque nacional pela excelência, depois foi ocorrendo gradativamente uma espécie de velada deterioração em tudo e a credibilidade caiu bastante. Na tentativa de reverter isso, elogios, mas não será tarefa fácil.

Dentre todas as empresas que fazem entregas de mercadorias país afora, ainda credito a eles o melhor serviço e com um custo razoável. Possuía uma espécie de privilégio meio que só dele. Hoje não mais, mas ainda domina, porém com sobressaltos. Antigamente nem existia Sedex 10 ou 12 e enviando algo daqui para o Rio de Janeiro, por exemplo, com certeza lá estaria no dia seguinte. Hoje nem com o serviço diferenciado se tem mais essa certeza. A marca é mero detalhe diante disso.

O buraco é mais embaixo quando lembro com saudade terem sido os Correios exemplo no quesito Serviço Público (em maiúscula) de qualidade e perdeu isso nos últimos anos, justamente dentro de um governo onde isso não deveria e nem poderia acontecer de jeito nenhum. Veladamente ocorre uma privatização às escondidas. Serviços são terceirizados, principalmente na coleta e entrega de postagens e mercadorias. Isso é a precarização de um dos últimos bastiões públicos brasileiros. O funcionalismo já não sente a segurança do passado e atua com o freio de mão puxado.

Uma tristeza isso, pois antes todos falavam de boca cheia dos exemplos, irretocável tratamento ao funcionalismo e hoje, em nome de uma tal de "modernização", o momento é de incertezas. Uma transição para pior. O modelo interno mudou, o trato com a coisa pública é outro e reside aí a decaída de credibilidade. Eu quero muito poder falar bem dos Correios, mas quem dá as cartas hoje por lá precisa ajudar nesse sentido. Digital sim, sem perder o caráter público, sua melhor marca.

O autor é jornalista e professor de História

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