Política

Obra do viaduto segue sem solução

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

Engana-se quem pensa que as obras do viaduto inacabado estão a todo vapor após o acordo firmado entre a Prefeitura de Bauru e a Bema Construções, contratada em 2012 para concluir o serviço iniciado há 21 anos. Funcionários da empreiteira estão no canteiro, mas não voltaram a trabalhar no fechamento e na concretagem dos dois vãos restantes. E o governo teme não conseguir entregar o equipamento viário em agosto, como previu, já com 19 meses de atraso.

Secretário municipal de Obras, Sidnei Rodrigues não esconde a preocupação. A conclusão dos vãos é a parte mais importante da obra do viaduto. “Se esse trabalho não for retomado nas próximas duas semanas, certamente, não teremos fôlego para terminar tudo até as comemorações do aniversário da cidade”.

Dessa vez, o ritmo lento no serviço não é de responsabilidade da construtora. Sidnei atribui a situação à falta de entendimento entre os técnicos da prefeitura e a Caixa Econômica Federal (CEF).

A instituição é gestora dos repasses federais que custeiam a obra. Por conta disso, tem a responsabilidade de analisar o replanilhamento técnico do projeto, proposto pela administração municipal após acordo junto à Bema, fechado no último 9 de abril.

Esswes documentos detalham que dos R$ 5,9 milhões estimados para a conclusão do viaduto, a empreiteira abriu mão da execução de R$ 600 mil em serviços, que serão assumidos pela prefeitura.

“Já mandamos as descrições duas ou três vezes, mas não conseguimos a aprovação. Sempre há o apontamento de questões burocráticas. Minha expectativa é de resolver isso com a Caixa até o final dessa semana. Estou pressionando tanto lá quanto os funcionários da Secretaria de Obras”, garante Sidnei.

Ele explica que, sem a aprovação do banco federal, não tem como exigir da construtora agilidade na obra porque os pagamentos pelas medições estão bloqueados. “Vai ser assim até resolver. Então, a empresa está fazendo outros serviços menores, que estão previstos em contrato, como a correção de dilatação. Mas a gente precisa que seja feito o trabalho mais pesado”, pontua o secretário.


Novela

Antes do acordo firmado há pouco mais de um mês, a prefeitura e a Bema protagonizaram embate público sobre divergências técnicas e referentes ao custo da obra. A empreiteira pleiteava aditivo de R$ 1,5 milhão para conclui-la. As negativas do secretário Sidnei Rodrigues e a morosidade no andamento dos serviços levaram a discussão a uma audiência pública com ânimos acirrados na Câmara Municipal. A pretensa solução saiu após a intervenção do prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB).

O viaduto inacabado começou a ser construído em 1993. Três anos depois, a obra foi paralisada e só foi retomada em fevereiro de 2012. O prazo primeiro para a entrega do equipamento venceu em março do ano passado. O prefeito  porém, alimentava a expectativa de entregá-lo durante os festejos do aniversário da cidade do ano passado.

João Rosan

O fechamento e a concretagem ainda não foram reiniciados nos dois vãos restantes na obra

Iluminado

Sidnei Rodrigues garante que a entrega do viaduto na data anunciada incluirá o sistema de iluminação pública, com lâmpadas de led. A licitação para contratação da instalação está em andamento. A expectativa é de que o contrato seja firmado no valor próximo a R$ 500 mil.

A Secretaria Municipal de Obras também está construindo acessos do viaduto até a avenida Nuno de Assis, com 61 metros de prolongamento, e até a Praça Espanha, com 360 metros. Apesar de essenciais, esses serviços não foram previstos no projeto da obra licitado.

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