A morte de 282 pessoas depcsçois da explosão em uma mina no oeste da Turquia causou, ontem, uma greve geral e novos protestos contra o governo.
A divulgação de um vídeo que mostra um assessor do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan agredindo um manifestante inflamou ainda mais a revolta.
As imagens mostram Yusuf Yerkel, vice-chefe de gabinete do primeiro-ministro, chutando um manifestante na última quarta-feira na cidade de Soma (a 250 km de Istambul), local onde ocorreu o acidente na mina.
O chute aconteceu quando o comboio de Erdogan foi atacado por familiares das vítimas. Yerkel confirmou que cometeu a agressão e disse que se arrependeu. “Eu peço desculpas por não ter conseguido manter a calma, apesar de todas as provocações, insultos e ataques que recebi”, afirmou em nota. Segundo jornais turcos, a vítima é familiar de um mineiro, mas essa informação não foi confirmada.
Além do chute, a greve também ajudou a insuflar os protestos. Os quatro principais sindicatos do país estudam estender a paralisação.
Eles reclamam da situação dos mineiros no país. Desde 2000, a Turquia registra 1.308 mortes nas minas.
A cidade de Izmir concentrou as maiores manifestações. Cerca de 20 mil pessoas foram às ruas contra o governo. A polícia usou bombas de gás lacrimogêneo.
Em Soma, os familiares protestaram próximo ao local do acidente com gritos contra Erdogan. O presidente turco, Abdullah Gul, visitou a mina ontem. Na capital, Ancara, 3.000 pessoas tentaram chegar até o Ministério do Trabalho.
Oficialmente ainda há 120 mineiros presos no subsolo. As autoridades descartam a possibilidade de que algum deles possa ser resgatado com vida.