Polícia

Crimes: autoridades cobram ALL

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 3 min

Arquivo/Malavolta Jr.

Para as autoridades, o abandono da linha férrea na região central facilita a ação dos bandidos

“O criminoso fugiu pela linha férrea”; “os produtos roubados foram encontrados em vagões vazios”; “a droga estava escondida em meio ao mato alto”. Estes são trechos frequentes de notícias policiais. O que elas possuem em comum? O cenário. Todas envolvem a linha férrea na região central de Bauru. Por conta disso, autoridades decidiram investir contra a América Latina Logística (ALL), concessionária administradora do local.

Um boletim de ocorrência (BO) foi registrado pelo presidente do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) Centro-Sul, Olavo Pelegrina Júnior, contra a ALL. Agora, juntamente com as polícias Civil e Militar, o órgão vai até o Ministério Público Federal (MPF) pedir que seja movida uma ação contra a concessionária por melhorias no trecho compreendido entre Antônio Alves e a Alfredo Maia.

Ocorrências

“Grande parte das ocorrências que envolvem roubo, furto ou tráfico no Centro tem relação direta ou indireta com a linha férrea e suas imediações. É preciso que se faça algo de forma urgente”, alerta Olavo Pelegrina.

O “algo” a que ele se refere é justamente a manutenção do local. Cledson Nascimento, delegado do setor de crimes contra o patrimônio da Central de Polícia Judiciária (CPJ), reforça a preocupação do Conseg.

“São cinco necessidades. É preciso instalar iluminação, fazer a poda da vegetação, resolver o problema dos vagões abandonados, revitalizar ou demolir os imóveis abandonados e colocar uma vigilância particular”, destaca o delegado. “Se a ALL não está cumprindo com suas obrigações, ela precisa ser acionada”, complementa.

A Polícia Militar (PM) corrobora que a área se tornou a grande “pedra no sapato” quando se fala de crimes na região central. Em um rápido levantamento de poucos dias, 40 ocorrências de roubos, furtos, tráfico e receptação envolvem direta ou indiretamente a área da linha férrea.

“Hoje, é um risco para os próprios policiais. Temos que usar a nossa cavalaria para entrar ali. Isso dá a noção de como a área está complicada”, aponta o capitão Samuel Gomes, comandante da 1ª Companhia da PM. “Se houvesse a manutenção, não dá para dizer que não haveria mais crimes, mas, certamente, teria uma melhora considerável”, completa.


Ministério Público

Diante dessa realidade, além do registro do BO, Conseg e as polícias decidiram ir, nos próximos dias, ao MPF para buscar uma solução. O delegado Cledson Nascimento explica que essa é a melhor saída por se tratar de um “direito difuso”.

“O que ocorre é o uso nocivo da propriedade. O não cumprimento coloca em risco toda a população. Por isso, trata-se de uma questão de direito difuso”, esclarece.

A Polícia Científica foi acionada para fazer uma perícia no local e indicar os locais mais problemáticos para a segurança. “Iremos até o MPF para que eles cobrem a ALL”, declara Olavo Pelegrina.

O representante da Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos (Assenag) de Bauru no Conseg, Braz Melero, explica que a prefeitura também encampa a luta para que a concessionária tome sua parte no problema.

“A prefeitura pode ir até lá e fazer uma manutenção. Mas não é a responsabilidade dela e é algo paliativo. Quem precisa agir é quem tem a responsabilidade. Ou seja, a ALL”, finaliza.


Última saída

Guilherme Scatolin Bacci, também do Conseg, afirma que a decisão do registro do BO e de ir até o MPF é uma das últimas saídas do órgão contra a ALL. Segundo ele, foram várias conversas antes para resolver a questão. Sem efeito.

”Já estamos discutindo isso há tempos e não há solução. O problema só vem piorando. E a tendência é piorar ainda mais”, completa.


Outro lado

Por nota emitida pela assessoria, a ALL afirma que “mantém equipes de segurança que realizam rondas preventivas na região, mas ressalta que essas equipes não têm poder de polícia”.

A companhia aponta ainda que realiza regularmente a limpeza e a manutenção da linha férrea. “A concessionária também se coloca à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos e auxiliar no que for necessário”.

Sobre imóveis abandonados, a ALL afirma que nenhuma edificação na área é  sua responsabilidade.

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