João Rosan |
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Gosto de esportes radicais e de viajar, uno as duas coisas, normalmente; meu próximo passo será um salto de paraquedas |
‘Em defesa do idoso’. Este também poderia ser o título desta matéria, que conta algumas das principais histórias do senhor Ubaldo Benjamim, presidente do Conselho Municipal da Pessoa Idosa. E esta é apenas uma das causas sociais abraçadas por ele. “Eu acho que a gente precisa fazer alguma coisa depois que se aposenta, sabe. Eu resolvi trabalhar por causas sociais”, defende.
Casado desde 1966 com a professora aposentada Ana Maria De Michieli Benjamim, com quem tem dois filhos e cinco netos, ele coleciona paixões. E é exatamente nas coleções que está uma delas. “Já colecionei de tudo: selos, moedas, cédulas, caixinhas de fósforo, lápis e canetas personalizadas, flâmulas, maços de cigarro, álbuns de figurinhas... Tenho coisas raras e minha atual coleção, que aumenta a cada dia, é a de xícaras de café personalizadas”.
Entre as peculiaridades do entrevistado de hoje ainda está o gosto pela aventura. E o piloto de planador já planeja seu próximo passo radical: “Vou pular de paraquedas”.
Jornal da Cidade - Sua vida profissional foi pautada em vários segmentos, certo?
Ubaldo Benjamim - Conquistei meu primeiro emprego aos 16 anos de idade em um laboratório de prótese, na rua Batista de Carvalho. Nesse tempo, eu fazia curso de planador no Aeroclube de Bauru. O segundo emprego foi no extinto Banco Novo Mundo, que ficava na quadra 7, também da rua Batista de Carvalho. Eu trabalhei lá por sete anos, em várias funções. Depois, fui para a Nestlé, onde atuei durante 20 anos como propagandista médico. Eu visitava pediatras e faculdades de medicina para mostrar os produtos infantis de receituário médico: papinhas, leites dietéticos, mamadeiras, farinhas... Após duas décadas neste trabalho, eu mudei da água para o vinho: fui trabalhar com material de construção. Tornei-me autônomo e peguei várias representações do ramo. Viajei muito durante os trabalhos, de carro, trem, avião, até que resolvi me aposentar, aos 52 anos.
JC - O senhor é piloto de avião?
Ubaldo - Tenho brevê, sou piloto de planador e reservista da Aeronáutica. Eu voei bastante. O voo a vela é um esporte que eu pratiquei muito. Todas as tardes, eu saía do meu trabalho, na Batista, e pegava a jardineira na rua Rio Branco para o Aeroclube. Ou, então, eu caminhava pelos “buracões” da cidade, onde hoje está a avenida Nações Unidas. Ia comendo gabiroba (risos). Hoje quase não voo, porque está muito caro. Mas a vontade é imensa.
JC - Então o senhor é adepto dos esportes de aventura?
Ubaldo - Gosto muito. Meu atual desejo é saltar de paraquedas. E vou realizá-lo em breve. Mas já fiz tudo o que você pensar sobre esportes radicais: rafting, montanhismo, arvorismo, voo de ultraleve, banana boat em alto-mar, sem saber nadar... Já brinquei em todas aquelas gigantescas e velozes montanhas-russas da Disney. Eu gosto muito de viajar, é um hobby. E, sempre que viajo, eu procuro me aventurar (risos). Recentemente, por exemplo, fui para o Balneário Camboriú, em Santa Catarina. Eu desci uma serra em alta velocidade com uma espécie de automóvel que corre sobre trilhos. E esse gosto pela aventura surgiu não faz muito tempo. Quando jovem não praticava, não tinha esse espírito de aventura que tenho hoje. Conheço praticamente todo o Brasil, menos o Amazonas e o Pará. Além das capitais brasileiras, conheço algumas capitais do Exterior. Sempre em busca de aventura.
JC - E, depois da aposentadoria, veio a dedicação às causas sociais, imagino.
Ubaldo - Exatamente. Nesse meio tempo, teve um fato pitoresco. Antes de me aposentar, eu trabalhei como colaborador na revista Cadência, do falecido jornalista Osvaldo Pena. Bom, mas veio a aposentadoria e passei a me dedicar à filantropia. Eu estou há 12 anos no Conselho Municipal da Pessoa Idosa. Sou o atual presidente, e minha esposa também já foi. Fazemos trabalhos voluntários juntos. Uma curiosidade sobre mim é que já fiz vários comerciais como Papai Noel, entre outras propagandas, como para a Prata Rent a Car... Já fiz de tudo na vida (risos).
JC - O voluntariado é uma necessidade?
Ubaldo - Eu acho que a gente precisa fazer alguma coisa depois que se aposenta, sabe. Eu fiquei um tempinho parado e não sabia o que fazer. Acho até que fiquei meio doente. Estava acostumado a trabalhar e me senti perdido. Quase entrei em parafuso, cheguei a ter uma pequena depressão. Eu nunca fui de frequentar bares, ficar para lá e para cá só com amigos, sempre estive muito com a família... E resolvi trabalhar por causas sociais. Eu também sou presidente, em São Paulo, há oito anos, do Conselho Estadual do Idoso. Faço parte do Conselho Municipal de Assistência Social, do Conselho Municipal de Esportes e do Orçamento Participativo da Prefeitura Municipal de Bauru, além da Campanha do Agasalho do Fundo Social de Solidariedade, do Concurso Miss e Mister Terceira idade, como jurado, e de ajudar na Creche São Francisco de Assis, onde me visto de Papai Noel e coelho da Páscoa.
JC - O idoso tem conseguido conquistar o seu espaço e ter seus direitos respeitados?
Ubaldo - Eu analiso isso da seguinte maneira: embora exista o Estatuto do Idoso já há alguns anos, nem todos os direitos ali concedidos são respeitados. Por exemplo, eu brigo muito, e até já arrumei pequenas discussões, sobre as vagas de estacionamento regulamentadas para idosos nas ruas, bancos, supermercados, shoppings... Quando vejo um jovem estacionando nessas vagas eu vou até ele, oriento... Quando é idoso sem cartão, eu oriento a ir até a Emdurb e regularizar tudo. Mas estamos caminhando. É uma questão de evolução, de cidadania, educação de berço.
JC - Colecionar é um hobby?
Ubaldo - Nossa, já colecionei de tudo (risos): selos, moedas, cédulas, caixinhas de fósforo, lápis e canetas personalizadas, flâmulas, maços de cigarro, álbuns de figurinhas... Tenho coisas raras em casa, mas tudo encaixotado, engavetado. Agora, a minha atual coleção, que aumenta a cada dia, é a de xícaras de café personalizadas. Inclusive, a mais nova do conjunto é uma que ganhei do Jornal da Cidade. Por onde eu passo e vejo uma xícara de café gravada eu peço. Minha primeira coleção foi a de selos. Já a de xícaras, teve início na época em que eu trabalhava na Nestlé e um amigo colecionava. Eu me entusiasmei e comecei também. Trocávamos as repetidas até que ele desistiu e me deu as dele. Hoje tenho cerca de 300 delas. Eu não sou um bebedor de café, tomo os meus goles, mas fui criado mais no chá. Meus netos também gostam de colecionar. E eu ajudo (risos). Ah, também coleciono coisas antigas: discos de vinil e máquinas fotográficas fazem parte do meu acervo.
JC - Família.
Ubaldo - Sou casado desde o dia 10 de dezembro de 1966 com a Ana. Temos dois filhos e cinco netos, todos meninos. Para mim, a família é tudo. Sempre fui daquelas pessoas que colocam a família em primeiro lugar. O emprego veio em segundo e, por último, minhas obrigações sociais. Por exemplo, eu pertenço ao 3º Quarteirão de Amigos há 36 anos, já fui presidente por duas gestões. É uma entidade que congregava apenas viajantes, mas que hoje está aberta a profissionais liberais. Em Bauru já houve três quarteirões, mas estamos em várias partes do Estado.
JC - Qual é a origem do Quarteirão de Amigos?
Ubaldo - A entidade foi criada por dois viajantes portugueses quando um adoeceu em uma das viagens e, como a comunicação e o transporte eram de difícil acesso, eles decidiram criar uma entidade que pudesse auxiliar os viajantes em dificuldades e suas famílias que estavam distantes. Atualmente, nós fazemos filantropia e ações sociais. Há, por exemplo, uma feijoada anual. Os convites deste ano já estão à venda. É a 23ª edição e ocorrerá no dia 5 de julho. Parte da renda será revertida à Casa da Sopa da Vila Dutra.
PERFIL
Nome: Ubaldo Benjamim
Idade: 74 anos
Local de Nascimento: Bauru
Signo: Sagitário
Esposa: Ana Maria De Michieli Benjamim
Filhos: Ubaldo Júnior e Marcelo
Hobby: Viajar e colecionar objetos
Livro de cabeceira: “Sabedoria em gotas” e “Minutos de Sabedoria”
Filme preferido: Adoro cinema, para citar alguns filmes preferidos: “Ghost”, “A um passo da eternidade” e “Assim caminha a humanidade”
Time: Palmeiras
Estilo musical predileto: Gosto muito de música clássica orquestrada
Para quem dá nota 10: Para todos os que se preocupam com o próximo, como os voluntários
Para quem dá nota 0: Aos que não respeitam os direitos dos idosos
E-mail: baldobenja@yahoo.com.br
