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Notre-Dame de Paris

Ismar Pereira
| Tempo de leitura: 2 min

Todos nós estávamos extasiados diante de tanta beleza. A Catedral de Notre-Dame, de Paris, impressiona: é uma verdadeira obra de arte recheada com obras de arte. Que, associadas à suave e maravilhosa música ambiente, cria uma atmosfera mística, sem perder a característica de religiosidade. Enfim, era uma verdadeira viagem a um mundo encantado. Um lugar paradisíaco, visitado diariamente por multidões de turistas vindos de todas as partes do mundo. E para não ocorrerem desencontros e outras coisas do gênero, comuns onde o número de pessoas é muito grande, cada um de nós recebeu um pequeno receptor de rádio. Dependurado no pescoço, ele nos permitia ouvir as explanações sobre as principais obras existentes no local, bem como acompanhar as orientações dadas pela guia do nosso grupo.

Tudo transcorria de forma absolutamente normal, quando um aviso nos trouxe de volta à realidade. A visita estava terminando: todos deveríamos sair da igreja e aguardar na calçada, ao lado de um restaurante. Foi quando ouvimos uma voz feminina, tênue e praticamente ininteligível, captada de maneira precária pelo transmissor da guia. E esta, para nossa surpresa, retrucou, alto e bom som: "Como é que é? Você não quer sair da catedral sem ver o corcunda de Notre-Dame? Isso é impossível! Trata-se de uma ficção. Na realidade, o corcunda nunca existiu. Ou melhor, existiu, mas apenas no famoso romance de Victor Hugo". Ninguém conseguiu conter o riso. O acontecimento foi o prato principal, ou melhor, o assunto predominante durante o almoço ? muito embora ninguém tivesse conseguido identificar a sua protagonista.

À noite, já no hotel, enquanto aguardava a chegada de Morfeu, fiquei relembrando o que havia acontecido. E uma dúvida cruel apoderou-se do meu pensamento: será que tudo aquilo não teria sido uma "armação", repetida em todas as visitas à Notre-Dame, com a intenção de divertir os turistas? Ou será que aconteceu de verdade, demonstrando, cabalmente, que a ignorância de algumas pessoas não tem limites? A dúvida permanece até hoje!

Em tempo: Morfeu é o deus do sonho, filho da Noite e do Sono.

O autor é advogado aposentado

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