Douglas Reis |
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Acúmulo de lixo resultado de festas durante final de semana |
Copos plásticos, garrafas de vidro, papéis espalhados pelas calçadas e até um animal morto. Este é o cenário no início da manhã de segunda-feira em três pontos distintos de Bauru. Entre eles, duas casas noturnas, cuja sujeira, conforme reclamam os vizinhos, estende-se a estabelecimentos vizinhos.
Enquanto a reportagem conversava com uma mulher que trabalha ao lado de um dos estabelecimentos, localizada na quadra 20 da avenida Duque de Caxias, a cena no local era de pessoas com vassouras e pás recolhendo o lixo da calçada. Segundo a funcionária, que preferiu não se identificar, o impasse é frequente.
“Toda segunda-feira é assim. É resultado das festas nos finais de semana. Às vezes, ficam três dias sujo e a gente mesmo acaba fazendo a limpeza para zelar pela imagem da empresa”, explica. Ela contou ainda que, em alguns casos, chega antes do expediente para garantir a boa impressão aos clientes.
Já o proprietário de outro estabelecimento, também vizinho da boate na Duque, precisou trocar parte da grade do portão de ferro de sua empresa ao menos três vezes devido ao desrespeito dos notívagos. “O pessoal urina na grade e vai corroendo o ferro. Já tive prejuízo porque precisei consertar mais de uma vez. Sem contar que preciso dispor de três funcionários para recolher a sujeira, que enche três sacos de lixo de 100 litros”, reclama.
Nas imediações de outra casa noturna, na quadra 2 da avenida Inácio Vieira da Conceição, na Vila Aviação, o encarregado de transporte Cristiano Luiz Guimarães, que trabalha bem ao lado do estabelecimento, relata que a situação está insustentável.
“O pneu do meu carro já foi cortado três vezes por garrafas de vidros de bebidas que ficam jogadas na entrada da empresa. Fora o risco de machucar alguém”, alerta. Assim como nos outros casos, Guimarães e seus colegas de trabalho é quem recolhem os resíduos. “Já encontrei até preservativo”, contou. Também não é incomum encontrar drogas.
Porco?
Em um terreno próximo ao Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Unesp de Bauru, há uma lixeira coletiva. Ali, contudo, o lixo espalhado pelo local não se restringe somente à lixeira. Até mesmo um porco morto foi flagrado entre os detritos. No local, havia também pneus e a maior parte do lixo estava espalhada fora dos sacos plásticos.
Em nota, a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) informou que trata-se de uma lixeira coletiva e que a coleta de lixo orgânico é realizada às terças, quintas e sábados. Porém, segundo o órgão, o local seria usado por moradores das chácaras vizinhas, que não respeitam o dia e horário da coleta e depositam lixo a qualquer hora, o que tem gerado acúmulo do resíduo.
Em relação ao animal morto, a Emburb explica que o caminhão de coleta do lixo orgânico não é responsável pela recolha, mas se comprometeu a ir até o local e verificar a possibilidade de limpeza.
Proprietários das casas noturnas culpam catadores e ambulantes
A proprietária da casa noturna que fica na quadra 20 da avenida Duque de Caxias, Cariene Margato Mauad, relata que o local é tomado por ambulantes. “Vira uma feira quando tem festa. É gente vendendo bebidas, espetinho e lanches a noite toda. Não tem como eu controlar o lixo que eles deixam”, defende-se.
Em relação ao lixo acumulado durante os eventos, a empresária garante a recolha, mas afirma que os resíduos são espalhados na rua por catadores. “O pessoal que pega reciclável rasga os sacos de lixo e deixa tudo espalhado. Estou tentando me adequar aos horários do caminhão da coleta, justamente para tentar evitar esse tipo de problema”, explica.
Nas imediações da quadra 2 da avenida Inácio Conceição Vieira, o argumento é o mesmo. A proprietária da casa noturna, Maria Cristina Haga, disse já ter visto cerca de dez carros de ambulantes em frente ao seu estabelecimento. “O comércio deles resulta em copos plásticos e garrafas espalhados por toda a via. Eu recolho o meu lixo e acabo limpando um pouco do deles também, mas não venço”, reclama.
Ela acrescenta que não há vistoria dos órgãos públicos. “Também nunca vi fiscalização da prefeitura”, finaliza.
Prefeitura
Em relação aos ambulantes, a prefeitura de Bauru afirmou que irá fazer um trabalho de vistoria e autuação, caso seja necessário. Em caso de flagrantes, os responsáveis serão notificados e terão as mercadorias apreendidas, já que não há previsão de permissão de comércio dessa natureza no endereço citado.
Já o lixo depositado no passeio público também será vistoriado e, se apresentar irregularidades, caberá a aplicação de multas entre R$ 121,90 a R$ 4.206,00.
