No mecanismo psicológico da transferência, a pessoa atribui a outrem atos ou pensamentos que julga serem reprováveis, não reconhecendo que os pratica. É o que o sr. Robert Manduca faz ao atribuir ao sr. Arthur Monteiro Jr. os qualificativos de ideológico e paranóico, que ele julga inadmissíveis. Na mesma missiva, diz "que as ditaduras de direita da América Latina sempre surgiram em oposição a tentativas de golpes comunistas, terminaram com a devolução da democracia ao povo".
Paranoicamente vê comunistas por todos os cantos, como se o presidente deposto João Goulart, o governador Brizola exilado e o ex-presidente Juscelino cassado estivessem a tramar a implantação do comunismo no Brasil nos idos de 1960.
Ideologicamente, sustenta que a democracia foi devolvida ao povo, pois a política, na sua visão, apenas é feita pelas elites e o Movimento Diretas Já, ou as grandes assembléias sindicais e greves não existiram enquanto fatos históricos relevantes.
Ideologicamente, defende a política de pão e circo para o povo, pois perora que "milhões de trabalhadores viveram muito bem durante a ditadura".
Ideologicamente, justifica a tortura e morte de centenas de "terroristas". É ideológico ao qualificar esses opositores da ditadura de "terroristas" e quase lamentar que aqui tão poucos tenham sido eliminados, pois talvez muitos ficaram para aterrorizá-lo.
Diz que, à luz de novas evidências e documentos, a História é muitas vezes revista e reescrita, mas agora, como emérito professor dessa ciência, vem generosamente nos brindar com a última e definitiva versão.
Nega a ingerência americana no golpe de 64, contestando documentos do próprio Departamento de Estado dos EUA e brande números paranoicamente astronômicos de mortos em regimes comunistas, sem qualquer comprovação documental.
Desfia falácias, no sentido técnico do termo, ao insinuar que o que diz é indubitável, pois é professor de História. Ora, há mais de dois mil anos Aristóteles já caracterizou, em Lógica, ser falso o "argumento de autoridade".
Geraldo A. Bergamo