Articulistas

Disco de Newton

Arnaldo Pinzan
| Tempo de leitura: 3 min

Vamos imaginar um círculo de papel, dividido em 7 pedaços como uma pizza. Pinta-se cada um com as cores originais do disco: vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, índigo e violeta. Coloca-se este círculo num sistema que permita girá-lo numa grande rotação, veremos que o círculo se torna branco, não sendo mais possível, distinguir cada cor inicial. Mesma situação vivo neste momento. Explicando-me. Com tantas informações contraditórias veiculadas pelos meios de comunicação rapidamente, tenho dificuldade de ver cada cor, e aí "me dá um branco".


Chega-se a alguma conclusão sobre as previsões dos acontecimentos antes, durante e após a copa? Romário e Ronaldo Fenômeno, com posições antagônicas e agora o mea-culpa do Fenômeno ao defender inicialmente a realização deste megaevento, neste sofrido Brasil. Como está a nossa segurança nos dias atuais, com tanto prestígio noticioso dados aos marginais? A morte virou banalidade? A repercussão mundial do vídeo de traficantes saraivando o ar, com balas, durante um jogo de futebol, poderá interferir psicologicamente nos visitantes, em nossa copa? A Fifa tem mesmo isenção total de impostos, num dos países que os cidadãos já estão com sua renda comprometida pagando tantos impostos? Será que a renda ficará somente nas mãos dos seus dirigentes? Ontem, recebi dois e-mails, e num deles o polêmico repórter Cajuru vaticinou: o Brasil perde financeiramente com a Copa, mas ganha no campo, além de apresentar valores numéricos de quanto a Fifa arrecadou e quanto pagou de impostos aos países sedes. Qual a real participação do dinheiro público investido em estádios (atual arena) que não fará falta para a educação e saúde dos brasileiros? As pesquisas de intenção de votos será que tem sempre metodologia sem interesses particulares interferindo nos resultados? O nosso STJ está composto de juízes sem comprometimentos particulares? Pelas afirmações do ex-presidente Collor, divulgadas recentemente, sobre como ficará seu prejuízo, após ser condenado, parecendo que deverá mover ação e com a conta paga por nós? Qual a confiança nas informações sobre os índices de inflação que estamos atravessando neste momento? A queda na arrecadação do ICM é reflexo de recessão? Tem água na capital deste estado, para transpor este período de seca? Qual a parcela sacrificante que caberá à população? Qual o impacto com o aumento da energia elétrica, da qual dependemos para tudo, na vida de cada cidadão ou empresa?


Não foi anunciado carnavalescamente, que teríamos redução de valor e aumento de oferta pelo setor elétrico, e apagão nunca mais? Dependendo de cada situação, vemos diariamente, partidos políticos representativos da situação e oposição dando diagnósticos opostos, tentando manipular os eleitores. O que acontece que antes das eleições, têm soluções para todos os problemas, mas que ao assumirem qualquer cargo público eletivo, somos informados das impossibilidades que antes criticavam?


Um leitor do JC, recentemente, sugeriu a Comissão da Verdade de Verdade, onde se possa observar e punir, qualquer dos lados infratores, não sendo apenas uma verdade unilateral, que é tendenciosa. São tantas as informações que, girando rápida e simultaneamente, fazem do raciocínio um verdadeiro disco de Newton.


O autor é professor FOB USP e secretário do Lions Centro

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