Cultura

Pra chorar com Pixinguinha

Wagner Teodoro
| Tempo de leitura: 5 min

Choro na manhã de domingo no Sesc Bauru. Mas nada de tristeza, o momento é de celebrar um dos maiores expoentes da música brasileira: Pixinguinha. Um dos destaques da programação da Virada Cultural no Sesc é o espetáculo “40 Anos Sem Pixinguinha”, onde as vozes de Vânia Bastos e Selma Reis interpretam clássicos do flautista, saxofonista, compositor e arranjador no show que homenageia o mestre do choro. A apresentação tem início às 11h30, na área de convivência.

A performance das cantoras é acompanhada pelo maestro Marcos Paiva no baixo acústico e Marcos Paiva Trio, composto pelos músicos César Roversi (saxofones), Bruno Tessele (bateria), Carlos dos Santos (vibrafone), em canções do compositor, que morreu em 1973. O show, assim como todas as atrações da Virada Cultural, é gratuito.

Para o espetáculo, Paiva rearranjou diversas composições de Pixinguinha, como “Proezas de Solon”, “Desprezado”, “Ainda me Recordo”, “Carinhoso”, “Lamento”, “Rosa”, “Vou Vivendo”, “1 x 0”, “Naquele Tempo”, “Fala Baixinho”, “Gavião Calçudo” e “Sofres Porque Queres”.

O show traz momentos tocantes e poéticos e outros animados pela maestria das notas definidas por Pixinguinha com uma nova roupagem exclusiva. “O Marcos Paiva é um grande músico e nosso maestro e fez arranjos muito diferentes e interessantes para as músicas do Pixinguinha”, destaca ao JC Vânia Bastos, que nasceu na região de Bauru: ela é natural de Ourinhos (SP).

O show foi concebido para marcar os 40 anos de falecimento de um dos maiores compositores e instrumentistas do Brasil. A cantora afirma que Pixinguinha é uma referência. “Todo mundo que está no meio da música, que é músico, tem superafinidade com Pixinguinha. E mesmo quem não é da música gosta. Eu já cantei Pixinguinha e cheguei a gravar músicas dele”, comenta Bastos. “Todos fazem reverência ao Pixinguinha pela obra que deixou, foi uma coisa revolucionária e marcante. Soube pegar todo o som da época e trazer para o Brasil”, define.

Além do gênio musical, Bastos afirma que a homenagem é justa e merecida também pelo lado humano de Pixinguinha. “Ele tinha grande simpatia e todo mundo gostava dele. O Vinícius de Moraes, uma vez perguntado se tivesse que ser outra pessoa, quem seria, respondeu Pixinguinha.

Popular

Pixinguinha é um clássico e suas composições se tornaram tão célebres que é impossível imaginar um brasileiro que nunca tenha ouvido por exemplo “Carinhoso”. Assim, a recepção do público é extremamente positiva, ressalta Bastos.


Vira, vira, vira

A programação da Virada Cultural no Sesc Bauru tem início hoje, a partir das 18h, com a apresentação do espetáculo circense “Se Desconcierta el Concierto”, do grupo Latin Duo, na praça de entrada da unidade.

Com sessões em dois horários, às 19h e 21h30, a Cia. Liga da Dança Dura apresenta o divertido espetáculo “Cardápio de Dança”.

Às 20h, é hora de música. Eduardo Gudin & Notícias Dum Brasil convidam Dona Inah. O paulistano Gudin é compositor, cantor, arranjador, violonista e letrista, com mais de 40 anos de carreira. Parceiro de nomes como Paulinho da Viola, Paulo César Pinheiro, Toquinho e Elton Medeiros, tem obras gravadas por intérpretes e grupos de grande expressão no cenário musical.

Para fechar o dia, cinema. O filme Cine Hollyúdi (2013), com e direção e roteiro de Halder Gomes, será exibido na praça de convivência, às 22h. A comédia tem no elenco Edmilson Filho, Mirim Freeland, Roberto Bomtempo, Joel Gomes, entre outros, e se passa no interior do Ceará, década de 1970, no período em que a popularização da TV começava a ameaçar os cinemas nas pequenas cidades.

Domingo

A Virada Cultural começa o domingo no Sesc com o Bloco do Bebê, às 10h30. No cortejo com ritmos e canções da cultura popular brasileira e músicas de Isadora Canto, do Projeto Acalanto, o público é convidado a entrar na dança, compondo um animado e delicado bloco.

Das 13h às 16h, o escritor Daniel Viana propõe “Troco um Causo por um Conto”. O artista ouve histórias pessoais do público e transforma esses relatos em microcontos ou poesias. A Cia. Meu Corpo Meu Brinquedo apresenta, às 14h, “Brincando com a Dança”. Esta jam session propõe jogo de improvisação onde corpo e movimento são abordados de forma lúdica e divertida por toda a família.

Às 15h, os animais invadem o Sesc. A peça teatral “Bichos do Brasil”, do Grupo Pia Fraus, retrata a riqueza da fauna brasileira por meio de recursos plásticos, sonoros e coreográficos utilizando bonecos gigantes. E o dia e a Virada terminam com circo no Sesc, a partir das 17h30, com o espetáculo “O lançador de Foguetes”, do Grupo De Pernas pro Ar.

O Sesc  fica na Av. Aureliano Cardia, 6-71.


Renata Rosa

Com sonoridade repleta de influências que variam entre ritmos brasileiros como o maracatu rural, o coco e o cavalo-marinho, passando pelo jazz e pela música árabe e do leste europeu, a cantora, compositora e rabequeira Renata Rosa apresenta-se amanhã, no Sesc Bauru, como parte da programação da Virada Cultural. O show, com base nas canções de seu terceiro álbum, “Encantações”, ocorre a partir das 16h. A entrada é gratuita. Renata Rosa sobe ao palco acompanhada por Hugo Linns (viola de dez, baixo e vocais), Pepê da Silva (viola de dez, violão de sete, bandola e vocais), Amendoim (percussão) e Gilú (percussão). No repertório, estarão composições como “Jurema”, “Cantar Ciranda”, “Marcha do Donzel” e “Amei Demais”, presentes em seu mais recente disco. Vale ressaltar ainda que a apresentação antecede uma turnê da cantora pela Europa, que passará por países como França, Holanda, Bélgica, Áustria e Polônia.


 

Reprodução

A partir da esq., Vânia Bastos, Selma Reis e Marcos Paiva, responsáveis por comandarem o show em homenagem ao mestre do choro, Pixinguinha

 

Comentários

Comentários