Douglas Reis |
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Carolina Palanch afirma que a ciência pode ajudar a resolver homicídios, furtos e desaparecimentos |
A biologia pode ser um grande aliado na solução de crimes. É o que explicou a bióloga e perita criminal Carolina Gonçalves Palanch, durante palestra na Faculdade de Engenharia de Bauru (FEB), da Universidade Estadual Paulista (Unesp), no encerramento da Semana de Biologia da Unesp.
Com o tema “Biologia Forense: A Contribuição do Biólogo na Solução de Crimes”, Palanch falou sobre o estudo realizado através de larvas encontradas em cadáveres para estimar o tempo da morte. “Geralmente, a aplicação mais usada da entomologia é para auxiliar na estimativa de intervalo pós-morte. Baseado no tempo de desenvolvimento da larva encontrada no cadáver, é possível determinar há quanto tempo a vítima está morta”, explicou.
Em alguns casos, ela explica que a entomologia forense pode deduzir as circunstâncias que cercaram o fato antes do ocorrido ou até mesmo depois. “Nós nos baseamos em estudos feitos com essas espécies em laboratórios e aplicamos nas larvas que forem coletadas no cadáver. A análise também mostra se o corpo foi movido para um segundo local depois da morte ou se foi, em algum momento, manipulado por animais, ou até mesmo pelo assassino, no caso dele voltar à cena do crime”, completa a especialista.
Contribuições
Palanch fala de outras contribuições da biologia na investigação de crimes. “Colabora na questão dos vestígios para identificação humana, por meio de análises de sangue, de sêmen, urina, fezes. Enfim, isso tudo pode nos ajudar na ligação de suspeitos a possíveis vítimas ou locais de crime”, pontua.
A perita explica que essa ligação, geralmente, é através de exame de DNA. Ela cita, como exemplo, crimes de furto. “O indivíduo se machucou para entrar no local. Então a gente coleta amostra desse suspeito e manda para o laboratório. Depois, fazemos a comparação do DNA coletado no local com o possível ladrão”.
O mesmo método, como explica a perita, também é atribuído em casos de desaparecimento.
“Acontece muito quando pais estão procurando por um filho desaparecido e a polícia encontra um cadáver em avançado estado de putrefação. É quando a gente entra, fazendo exames a partir de amostras (de DNA) dos pais e do cadáver”, explica.
Atropelamento foi o caso que mais chocou
Entre as ocorrências mais “pesadas” atendidas pela perita Carolina Gonçalves Palanch quando atuava em atendimentos no local do crime, a mais marcante foi um atropelamento múltiplo, que aconteceu na rodovia Fernão Dias, em São Paulo.
“Eu comecei na profissão em 2006 e esse foi o meu pior caso. Uma pessoa foi atropelada diversas vezes e por vários carros. Quando cheguei, a equipe de resgate já tinha juntado os pedaços do corpo. Foi inteiro dilacerado. Tinham muitas partes”, lembrou.
Foi exatamente o uso da ciência que deu as primeiras pistas sobre o caso. Só foi possível identificar o sexo da vítima por um detalhe. “Só deu para saber que era do sexo masculino porque encontramos um fragmento do rosto que continha barba. Foi o caso mais forte que peguei. Os outros eu defino como padrão”, disse a bióloga e perita.
