Esportes

Copa-2014: Califórnia francesa

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 5 min

Éder Azevedo

Permanência da seleção francesa em Ribeirão deve atrair 15 mil turistas em 30 dias. Na foto, o centro histórico da cidade

A‘Califórnia Brasileira’ estará mais francesa do que nunca em junho.  A reportagem do JC viajou até Ribeirão Preto, que será a casa da seleção da França durante a Copa do Mundo do Brasil - o desembarque dos ‘Bleus’ na cidade está previsto para o próximo dia 9. No dia 15 de junho, os franceses estreiam contra Honduras em Porto Alegre, e ainda pegam  Suíça no dia 20 e Equador em 25 de junho, respectivamente em Salvador e Rio de Janeiro. Entretanto, todos os treinos serão em Ribeirão, inclusive em uma eventual chegada da equipe até a finalíssima da Copa, em 13 de julho, no Estádio do Maracanã.

Para receber a França, Ribeirão Preto concorreu com centenas de cidades brasileiras que se dispuseram a ser subsede da Copa de 2014 (inclusive Bauru – leia mais ao lado). Para o secretário de Turismo de Ribeirão, Tanielson Campos, o legado para o município é imensurável. “Nós tratamos isso não como um evento esportivo em si, mas uma oportunidade de negócios. Fizemos questão de tentar trazer uma seleção rica para cá, como é o caso da França, pois isso movimenta não apenas a equipe em si, mas todo o entorno, como imprensa, patrocinadores, familiares de atletas e comissão técnica”, pontua Campos.

A delegação francesa ficará hospedada no Hotel JP, que fica próximo ao trevo principal da cidade – que aliás está em obras e não há previsão de que fique pronto a tempo da Copa, exigindo um aumento de percurso pela Rodovia Anhanguera. “Para todos em Ribeirão houve um ganho muito grande. A expectativa é que novos negócios possam surgir entre empresas locais e empresas da França com esta proximidade. O Botafogo, que é um dos clubes da cidade (o outro é o rival Comercial), foi beneficiado com melhorias e o hotel onde a França vai ficar teve um grande ganho de imagem”, enumera o secretário. Outros três hotéis de Ribeirão serão usados pela imprensa da França, que terá cerca de 80 jornalistas credenciados para cobrir o dia a dia da equipe na cidade.

Além disso, são esperadas dezenas de outros profissionais de imprensa de outras nacionalidades, incluindo brasileiros, para acompanhar os principais treinos e entrevistas coletivas – estas serão no Teatro Pedro II, no Centro, que curiosamente possui estilo francês, do século XIX.

Apesar de ter uma delegação estrangeira, os brasileiros são aguardados em junho. “Nosso maior objetivo é atrair o turista brasileiro. Ribeirão tem outros eventos ao longo do ano, na área cultural, esportiva, empresarial, e o foco principal com a França aqui é ter o brasileiro vindo à nossa cidade”, ressalta Campos.


Santa Cruz reformado. Botafogo agradece

Todos os treinos da França serão no Estádio Santa Cruz, que pertence ao Botafogo Futebol Clube. Com capacidade para 30 mil pessoas, o local receberá um treino aberto, que é uma exigência da Fifa à todas as seleções nos Mundiais (pelo menos um treino antes da estreia precisa ser aberto ao público, sem cobrança de ingresso). No caso do time francês, a população em geral terá a oportunidade de ver Benzema, Ribery e companhia em ação no dia 10 de junho (terça-feira), às 16h. Nenhum outro trabalho deve ser aberto pelo treinador Didier Deschamps, que era meia da França campeã sobre o Brasil na Copa de 1998.

Para receber os treinos dos franceses, o gramado e o vestiário do Santa Cruz passaram por mudanças. De acordo com Jason Albuquerque, vice-presidente de marketing do clube, não houve nenhum ônus à Pantera da Mogiana, que ainda ficará com um vestiário ‘Padrão Fifa’ após a passagem dos Bleus.

“O nosso vestiário já era bom, pois tinha sido reformado recentemente, mas para poder receber a França houve a necessidade de uma nova reforma, incluindo o setor da comissão técnica. Mas tudo isso foi custeado pela seleção da França. Para o Botafogo, ficará o legado”, destaca. Além de um vestiário exclusivo para a comissão técnica e outra área para o setor médico, o vestiário dos atletas conta com 12 chuveiros, duas banheiras de 3x2m, sendo uma quente e outra fria, e ainda uma área de aquecimento com grama sintética.

A reforma completa do vestiário, que está nos últimos detalhes, custou R$ 240 mil, e envolveu também toda a troca de piso, revestimento, isolamento e rouparia. Uma máquina de gelo que foi adquirida pela França e ficará para o clube produz cerca de 250 kg em 24h. “Recebemos várias visitas antes de começarem as obras, e algumas durante o andamento. Foram dois meses de trabalho, desde o início de abril”, explica Albuquerque.

No gramado, o investimento foi realizado pela Fifa e consumiu mais cerca de R$ 150 mil. Desde o final do Paulistão, em abril, diversos testes foram feitos para que todos os pontos do campo tenham a mesma qualidade. A grama usada é a Ryegrass e o campo só será liberado às vésperas da chegada da França. Novas traves fixas e móveis também foram adquiridas e ficarão para o clube.


E Bauru?

A Cidade Sem Limites chegou a entrar no catalogo inicial da Fifa como subsede para a Copa de 2014, mas na segunda avaliação acabou excluída. O motivo: a rede hoteleira. O atual secretário de Esportes de Bauru, Roger Barude Camargo, que em 2012 (época das vistorias) era diretor de esportes da Semel e participou do comitê bauruense que pleiteava incluir a cidade no rol de subsedes, entende que faltou pouco para que Bauru entrasse na lista final.

“Bauru foi muito bem avaliada em vários aspectos, como logística e também os próprios locais para treino, que eram o estádio do Noroeste, o Bauru Tênis Clube e o Edmundo Coube. Tanto que a cidade entrou no primeiro catálogo. Porém, faltou um hotel que atendesse a todas as exigências da Fifa, como Ribeirão conseguiu. Há bons hotéis aqui, mas não com tudo que era exigido. Na época, até tentamos uma parceria com algum resort em Lins ou Barra Bonita, mas a distância (ambas estão a cerca de 100 km) inviabilizou”, menciona Roger Barude.

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