As discussões entre direita e esquerda tem esquentado aqui no JC e no Brasil. Isto em minha opinião se deve a fatos novos: primeiro, a esquerda (se é que o PT hoje é esquerda) chega ao poder de forma democrática e em contrapartida ao surgimento da oposição de uma nova direita liberal.
Intolerância existe dos dois lados da intitulada esquerda com seu cacoete e jurássico conceito do partido único tentando destruir a democracia, mesmo tendo chegado ao poder por esta via, e também a intolerância em relação a pensamentos diferentes dos seus, levando à tentativa de controle da imprensa, por aqui chamada de "controle social da mídia" e isto está patente em toda América Latina de esquerda, da Venezuela à Argentina, e só não é maior por aqui por resistência da sociedade.
Por outro lado, a direita escorrega da direita liberal e democrática para a direita fascista de não saudosa memória, principalmente daqueles que viveram os anos de 64 a 88 e sabem que os militares são a solução só para o curto prazo e esquecem que Mários Andreazas e Delfins Neto em nada diferiram, inclusive no quesito corrupção, aos ministros de Dilma de hoje.
Na verdade, os militares souberam chegar, mas gostaram do jogo e não quiseram sair mais. O ideário de restrição a liberdades, domínio do Judiciário, controle da imprensa, etc, são ideais dos dois extremos e ambos não convivem bem com o debate de ideias.
Hoje Jean Willis e sua diversidade de um lado só equivalem ao cristianismo desprovido de amor de (in)Feliciano e que os ideais do PSOL, PCO não são menos ridículos que os de Bolsonaro. O que os une é uma imensa vontade de aparecer. Outro elo de união é que ambos os extremos felizmente não ultrapassam um digito nas eleições.
A crítica que mais parece pertinente quanto às comissões da verdade da OAB local ou em Brasília é a revisão unilateral, ou seja, levar aos tribunais apenas os militares e não os que praticaram terrorismo, inclusive com a morte de inocentes. Ou lembramos tudo que os dois lados fizeram ou esquecemos tudo.
Márcio M. Carvalho