Paulo Iannone/Sindicato dos Metroviários |
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Os metroviários rejeitaram proposta de reajuste salarial de 8,7% oferecida pelo Metrô de São Paulo e pedem 16,5%, mas aceitam reduzir para 10% |
Em dia de greve, o metrô em São Paulo funciona parcialmente na manhã desta quinta-feira (5) na capital. As linhas 4-amarela e 5-lilás funcionam sem restrição. Nas outras 3 as composições circulam em algumas estações.
Na linha 1-azul os trens circulam entre a estação Ana Rosa e a Luz. Na 2-verde, o metrô opera entre Ana Rosa e Clínicas. Pela linha 3-vermelha, as composições circulam entre Bresser-Mooca e Santa Cecília.
Na estação Corinthians-Itaquera, na zona leste, houve tumulto. Usuários forçaram e quebraram o portão de acesso ao local. Dentro eles protestavam. "Queremos trabalhar, queremos trabalhar", gritavam.
Além do protesto nas plataformas da estação, alguns usuários desceram nos trilhos. Na estação passam também trens da CPTM, porém as composições não param, pois o prédio é administrado pelo Metrô. Segundo a CPTM, foi solicitado à SPTrans reforço das linhas de ônibus para esta estação.
No início desta manhã, a greve surpreendeu muitos usuários. Na estação Itaquera, zona leste, Kathleen Rocha, 22, representante de atendimento, ia para o curso de estética, no Jabaquara, e desistiu. "Não sei nem ir de ônibus para lá, e se soubesse, o ônibus também deve estar daquele jeito. Vou voltar pra casa mesmo."
Com a greve, o sindicato que representa a categoria corre risco de pagar R$ 100 mil à Justiça, a qual determinou que 70% dos trens do metrô estejam em circulação nos horários normais e 100% nos horários de pico -6h às 9h e das 16h às 19h.
Os metroviários rejeitaram proposta de reajuste salarial de 8,7% oferecida pelo Metrô de São Paulo (empresa estatal) e pedem 16,5%, mas aceitam reduzir para 10%.
A possibilidade de greve já vinha sendo anunciada desde meados de maio deste ano. Reunião de conciliação está marcada para as 15h desta quinta.
Por causa da greve, a SPTrans (empresa municipal que gerencia o transporte) e a CPTM (estatal responsável pelos trens metropolitanos) anunciaram planos de emergência.
Já a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) liberou o rodízio para carros de passeio nesta quinta-feira, mantendo apenas para caminhões e veículos de frete.
Usuários fotografam estações fechadas para justificar falta no trabalho
Usuários do metrô tiraram fotos dos portões fechados para justificar a falta no trabalho nesta quinta-feira (5). A uma semana da Copa, a cidade de São Paulo amanheceu parcialmente sem o transporte público do metrô, devido à greve por tempo indeterminado dos metroviários.
Evanio Araújo de Lima, 22, é analista de suporte de uma empresa na avenida Paulista. Preso sem conseguir sair do Jabaquara, ele resolveu fazer uma 'selfie da greve' para enviar ao chefe.
"Saber da greve eu até sabia, mas não tinha certeza. A foto é uma justificativa, mas ainda assim vou ficar esperto para o caso de liberar depois", disse Lima.
Andressa Reis, 18, operadora de telemarketing também usou a câmera do celular para enviar uma foto para o trabalho. "A gente não sabia da greve e tenho que pegar metrô até Santana. A solução foi tirar foto e mandar para a empresa, porque nem o chefe chegou ainda", afirmou.
"Vou voltar para casa. É um dia perdido", afirmou. Mais cedo, uma lotação clandestina oferecia o transporte entre o metrô Jabaquara e Santa Cruz por R$ 5. O trajeto é de 18 km.
Se a greve cair na ilegalidade vamos demitir, diz secretário de Transportes
O secretário de Transportes Metropolitanos de São Paulo, Jurandir Fernandes, disse nesta quinta-feira (5) que, se a greve for considerada ilegal pela Justiça do Trabalho, o governo não será "complacente" com os metroviários.
"Se a greve cair na ilegalidade, o governo não será complacente. Se for necessário ir até as demissões, nós vamos. O governo não temerá dar passos no sentido de resolver [a situação]", disse Fernandes.
Na tarde desta quinta haverá uma audiência de conciliação entre governo e metroviários na sede do 2º TRT (Tribunal Regional do Trabalho), na avenida Paulista. O encontro será às 15h30 e poderá julgar a legalidade do ato dos metroviários.
Segundo o sindicato, qualquer mudança na paralisação da categoria só deve ser decidida em assembleia, às 17h. Com isso, o sistema metroviário deve continuar parcialmente paralisado até o final do dia. O presidente do sindicato dos Metroviários, Altino Prazeres, foi procurado, mas até agora não atendeu aos pedidos de entrevista.
Uma liminar concedida na noite desta quarta-feira (4) determinou que os metroviários operem com 100% da frota prevista nos horários de pico e com 70% nos demais horários. Caso haja descumprimento da decisão, uma multa de R$ 100 mil por dia será aplicada ao sindicato da categoria.
A liminar do TRT atende parcialmente um pedido do Ministério Público e determina que a operação seja mantida com 100% no horário de pico -6h e às 9h, e entre as 16h e às 19h.
