Quiosh Goto |
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Dois aviões da Defesa Civil do Estado foram acionados para ajudar a conter o grande incêndio |
Um incêndio de grandes proporções atingiu novamente a fazenda Santo Antônio no início da tarde de ontem, em Bauru. O fogo consumiu por volta de 250 hectares de vegetação, área que corresponde a aproximadamente 250 campos de futebol. O fogo destruiu cerca de 25 hectares de uma Área de Preservação Permanente (APP).
Por conta da rapidez em que as chamas tomavam o local e da dificuldade do Corpo de Bombeiros em acessar a área atingida (íngreme e com mato alto), um avião do tipo Air Tractor da Defesa Civil do Estado precisou ser acionado para ajudar a conter o incêndio, que também mobilizou fazendeiros de toda a imediação.
A fazenda, que possuiria aproximadamente 700 alqueires, é localizada no quilômetro 355 da rodovia Cezário José de Castilho (SP-321), a Bauru-Iacanga, e está ocupada há 23 dias por um grupo de aproximadamente 200 famílias de acampados da região desde o dia 15 de maio deste ano.
Esta é a quarta vez que a propriedade sofre com incêndios em um período de dois meses.
Crime
O fogo, segundo testemunhas, teve início por volta das 12h20, em uma área de mato ao fundo da propriedade.
A reportagem tentou conversar com os acampados que, inclusive, se mobilizavam na tentativa de apagar o incêndio logo no início, mas eles recusaram entrevista e disseram apenas que acreditavam em uma ação criminosa por parte de outros grupos interessados nas terras.
Ao mesmo tempo, em uma propriedade vizinha, o fazendeiro Carlos Eduardo Padilha se desdobrava com seus funcionários, família e três tratores para bloquear o fogo na divisa das fazendas, criando espaços de terra entre as áreas de mato atingidas.
“O mais triste é que os responsáveis por esse crime provavelmente ficarão impunes. Afinal, já é a quarta vez que isso acontece ”, comenta o fazendeiro. Segundo ele, animais como tucanos, capivaras, cotias e veados eram vistos fugindo do incêndio no local.
A fumaça podia ser vista de longe, até mesmo da região da Vila Industrial. A ajuda da aeronave e a ação do Corpo de Bombeiros perdurou até o início da noite e o fogo, finalmente foi contido, por volta das 20h.
A Polícia Militar também esteve no local e registrou a ocorrência na Central de Polícia Judiciária (CPJ). A autoria é desconhecida.
Segundo o delegado plantonista, Milton Bassoto, uma equipe da Polícia Científica seria enviada à área atingida para realizar perícia. O caso segue em investigação.
Histórico
No dia 21 de março, a fazenda Santo Antônio foi ocupada. O grupo ficou instalado no local por 34 dias até a reintegração de posse.
No mesmo dia, um incêndio com autoria desconhecida queimou cerca de 15 alqueires da propriedade. Na tarde de 6 de maio, novo incêndio atingiu o local e queimou mais seis hectares. Um terceiro incêndio ocorreu três dias depois, quando outra área de mais sete hectares foi consumida pelo fogo.
Em 15 de maio, a fazenda voltou a ser ocupada por um grupo que se intitula acampamento Sem-Limites, que chegaria a 200 famílias. Um mandando de reintegração de posse foi expedido pela Justiça, mas segundo a advogada do grupo Mondelli (dono da área), Silva Vaz, os representantes aguardam um posicionamento por parte da Polícia Militar para poder agendar uma data de retirada. Ao JC, o relações públicas interino do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPM-I), capitão Juliano Loureiro, disse que aguarda posicionamento do Estado e que, por conta da demanda da Copa, a reintegração provavelmente seja cumprida após o campeonato mundial.
