Geral

Desarticulada "cooperativa" do tráfico

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 4 min

Quioshi Goto

Ação conjunta: Ricardo Martines, Carlos Fázzio e Ênio Bianospino

Uma operação conjunta das polícias Federal (PF) e Civil de Bauru prendeu, na manhã de ontem, dez pessoas na cidade que teriam ligação com o narcotráfico na região. Os nomes e mais detalhes sobre os envolvidos, que seriam sete mulheres e dois homens, não foram divulgados, mas grande parte dos mandados de prisões temporárias foram cumpridos em casas e até condomínios de luxo na Zona Sul de Bauru. Outras cinco pessoas já identificadas e que também seriam da cidade seguem foragidas.

Deflagrada agora, a operação “Lobotomia” (leia mais abaixo) demandou cerca de de um ano de investigações. O grupo, segundo a polícia, agia como uma espécie de “cérebro” do narcotráfico local, ou seja, se associava como cooperativa para viabilizar a compra e distribuição de maconha e cocaína para biqueiras do município e de cidades da região.

Em Bauru, as investigações apontam que o abastecimento principal do grupo era dirigido para pontos de tráfico nos bairros Parque Real e Nova Esperança.

A operação também teve, ontem, mais duas pessoas presas em Dourados, no Mato Grosso do Sul, que atuariam como fornecedores da droga, oriunda de países como Paraguai, Bolívia, Colômbia e Venezuela.

Fora a operação ontem, as investigações levaram ainda a outras 14 prisões em flagrante desde que o trabalho teve início.

No total, 50,5 quilos de cocaína e 1.302 quilos de maconha foram apreendidos pela polícia desde o início das ações para desarticulação do esquema criminoso.


A ação

A operação ontem cumpriu 17 mandados de prisão temporária. Além dos dez detidos em Bauru e dos dois presos em Dourados, outras cinco pessoas também ligadas ao grupo foram apontadas, mas já cumpriam penas por outros crimes.

A  ação teve início por volta das 4h e terminou às 12h, com envolvimento das equipes da PF, Delegacia de Investigação sobre Entorpecentes (Dise) da Polícia Civil e setor de inteligência da Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Bauru.

Na ocasião, segundo o JC apurou, foram presos, na cidade, o proprietário de uma revenda de automóveis, um casal proprietário de uma loja de bolsas, uma professora de academia de ginástica, entre outros, a maioria residente em casas e condomínios na Zona Sul.

Oportunidade também em que dois veículos de luxo, um Hyundai/Elantra, preto, com placas de Barra Bonita, e um Kia/Sportage, branco, com placas de Avaí, foram apreendidos, por terem sido obtidos, supostamente, pelo lucro obtido com o tráfico.

Em uma das casas, a polícia chegou a apreender até R$ 11 mil em dinheiro.

Também foram recolhidos computadores, agendas de contatos, anotações e outros documentos de todos os envolvidos que serão periciados.

“São pessoas que mantinham um nível de vida elevado, com carros novos, importados e casas de alto padrão, inclusive em condomínios. E tinham outras atividades, provavelmente, como fachada para dificultar uma possível investigação” comenta o delegado da PF que comandou a ação ontem, Ênio Bianospino.


Prisão

Detido, o grupo de Bauru foi levado à sede da Polícia Federal onde prestou depoimento e, ainda ontem, os homens seriam transferidos para a Cadeia Pública de Avaí e as mulheres para a Cadeia Pública de Pirajuí. Lá, eles deverão cumprir prisão temporária por 30 dias.

“Todos negaram a participação em interrogatório. Apenas um preso, de Dourados, admitiu”, comenta Bianospino.

O inquérito sobre o caso deve ser finalizado nos próximos dias, assim que a polícia conseguir localizar os outros cinco suspeitos  de Bauru que seguem foragidos.

Se condenados, os supostos mandantes, segundo Bianospino, poderão cumprir até 30 anos de prisão por tráfico e associação para o tráfico de drogas.


Modo de operação da associação criminosa não mantinha hierarquia

Segundo a polícia, tudo indica que a droga vinha de fora, trazida por carros conseguidos pelo grupo junto ao revendedor de automóveis, para fornecedores em Dourados e era comprada e distribuída pelo bando de Bauru, que organizava a logística de tudo.

“Não havia uma hierarquia rígida entre eles. A droga era adquirida em datas incertas, ou seja, no momento em que acabava ou quando eles se capitalizavam”, afirma Ênio Bianospino.

“Algumas dessas pessoas já eram alvos de investigação da Polícia Civil. Essas prisões foram apenas a ponta o iceberg após meses de investigação e de troca de inteligência entre as policias Civil e Federal”, acrescenta o delegado Seccional Ricardo Martines.

O objetivo da operação conjunta, conforme reforça o delegado da PF Carlos Alberto Fázzio, foi exatamente o de reduzir os níveis de violência associada ao narcotráfico.“ Esse grupo atormentava a juventude trazendo para cá o tráfico de drogas. Nos unimos para agir diretamente contra quem tem abastecido as biqueiras em Bauru e região”, frisa Fázzio.

Segundo o JC apurou, ao longo das investigações, um empresário de Lençóis Paulista e outro de Piratininga também teriam sido presos por ligação com o tráfico e participariam do esquema criminoso.

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