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Para Pontes, candidatura é missão

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 4 min

A política como mais uma ferramenta para ajudar o Brasil. É assim que o astronauta bauruense Marcos César Pontes está encarando o desafio de entrar na política, e já neste ano, sair como candidato a deputado federal pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB). Apesar de ter domicílio eleitoral em São Paulo, Pontes afirma que vai trabalhar por Bauru caso eleito, e que inclusive terá esta região do estado como seu foco.

Ele esteve ontem pela manhã na reunião municipal do PSB, na Câmara Municipal, e visitou o “Café com Política”, onde conversou com a reportagem do Jornal da Cidade. A candidatura de Pontes será lançada oficialmente no dia 20 de junho, quando acontece a convenção estadual da legenda, e a “dobradinha” será com o vereador bauruense Paulo Eduardo de Souza, pré-candidato  a deputado estadual. Confira os principais trechos da entrevista:


JC – Você é uma pessoa bem sucedida profissionalmente, tanto na Força Aérea Brasileira como na Nasa. Por que decidiu entrar na política?

Pontes – Muita gente me conhece como astronauta. Mas antes disso, eu comecei minha carreira em Bauru, depois fui para a Força Aérea, que é uma missão para o País. Ali você pode ver muita coisa sobre a parte de segurança, como isso pode ser melhorado. Depois me formei em engenharia. Trabalho com pesquisa também. Você vai somando tudo isso, foram maneiras de que eu tive de colaborar com o meu País. Mas chegou um momento no ano passado, ao longo daquelas manifestações que aconteceram, e eu vi que precisava fazer alguma coisa. E eu sempre ‘penei’ muito no Congresso pedindo alguma coisa para o Programa Espacial ou para a área de ciência e tecnologia. Até que uma garota, durante uma palestra, me colocou na parede e falou: achei que você tinha coragem, entrar em um foguete, arriscar sua vida pelo País, mas nunca teve a coragem de ajudar na área de política, com o tanto que conhece nessa área fora do Brasil. Aquilo ficou na minha cabeça, e o primeiro passo foi entrar no que eu sei que é ciência e tecnologia, onde sou embaixador da ONU.

JC – E como foi a escolha pelo PSB?

Pontes – Eu já conhecia o Eduardo Campos (pré-candidato à Presidência da República), que foi ministro da Ciência e Tecnologia. E o PSB já tem uma história com essa área, então tudo se encaminhou para que eu entrasse ali. E depois que eu me filiei, além de ajudar na parte técnica, passei a pensar, posso ser candidato. E a Câmara do Deputados, para quem está iniciando, entendo que é uma boa escolha. Não digo que estou totalmente confortável, pois eu nunca fui candidato, mas eu sou brasileiro, e quando o nosso País precisa da gente, precisamos estar prontos. O que eu não quero é daqui a 15 anos olhar para trás e ver que eu podia ter feito algo e deixei de fazer.

JC – Sua bandeira principal é ciência e tecnologia. Certamente a educação será um mote importante também.

Pontes – Claro. As pessoas às vezes falam que eu bato muito em cima da educação, mas eu sempre digo que no dia em que o filho do presidente da República e o filho de um servente, que foi o meu caso, estudaram no mesmo colégio, aí as coisas estarão legais. Do jeito que está hoje, mostra que as coisas estão incorretas. A formação passa pelo caráter, pela forma como vai se construir a sociedade, a escola é uma junção de tudo isso. A escola tem que formar esse cidadão qualificado, que vai estar preparado para um bom emprego, e é aí que entra a ciência e tecnologia, que é produção de ideias e possibilidades.

JC – Caso eleito, terá de lidar com uma pressão diferente, que será a de prefeitos pedindo verba, por exemplo. É algo pela qual nunca passou até hoje.

Pontes – Vocês que pensam (risos). Como embaixador da ONU, sempre sou questionado porque um projeto foi levado para esse lugar e não para aquele, porque se contemplou este e não aquele. No caso é a área de desenvolvimento industrial, e existe pressão neste sentido. Se estiver no Congresso, seria uma adaptação, vai ser uma pressão mais próxima. Eu sou de Bauru, claro que se eu estiver no Congresso vamos ver as questões nacionais, mas cada parlamentar tem um foco em determinada região, e a minha é Bauru. Eu vejo como uma missão, que eu tenho que procurar cumprir da melhor maneira possível.

JC – Para finalizar, você é um ícone do Brasil na sua área e agora estamos às vésperas da Copa em nosso País. Costuma acompanhar os jogos, o que está esperando?

Pontes – Torço para a Seleção, claro, é sempre bom ver a nossa bandeira em um lugar mais alto, como era no tempo do Ayrton Senna, que aliás tive a oportunidade de ver pessoalmente duas vezes lá em São José dos Campos. Mas eu sempre costumo dizer, o jogo acaba e a vida continua, então é legal a Seleção ganhar, claro, porém mais importante do que isso é que tenhamos uma boa educação em nosso País e um desenvolvimento da ciência e tecnologia, que são fundamentais para o futuro do Brasil.

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