João Rosan |
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Cristiane Kerr usa planilha para mostrar às filhas como utiliza o salário |
Não precisa ser na caderneta, não é necessário mais a anotação conta a conta na agenda. Se você quer entrar para o grupo dos controladores domésticos de custo de vida, a linguagem eletrônica disponibiliza aplicativos manuseados de forma fácil até pelo telefone celular e, além disso, a Internet abre caminho para a formação de grupos específicos na trilha do controle de gastos.
Mas para quem pensa que o controle diário, corriqueiro, sistematizado, de despesas em relação à receita é algo esparso, saiba que foi muito fácil encontrar adeptos desse “hábito financeiro”. Bastou publicar no Facebook pessoal um texto objetiwvo mencionando a procura por quem faz controle de custo de vida. A lista de indicações de pessoas que incorporaram a rotina surgiu e ficou extensa rapidamente, sem exagero na mesma velocidade do espírito da letra do samba de Paulinho da Viola que adverte: “Dinheiro na mão é vendaval”.
O consultor de seguros Felipe Carlim Degelo foi um dos primeiros indicados. “Faço controle de gastos desde pequeno. Surgiu isso de forma espontânea. Eu ganhava gorjeta, caixinha, em um emprego ainda jovem e comecei fazendo conta e anotação todo dia para ver quanto acumulava. Então virou vício e não abro mão de anotar e lançar tudo o que gasto”, menciona.
Hoje, Felipe usa aplicativo para telefone celular android disponível grátis na Internet para baixar. “Basta procurar por ‘gerenciador financeiro’ no play store. Esse programa dá gráficos de quanto gasto por unidade de despesa, mostra evolução do preço e informa quanto se gasta para cada tipo de despesa. Além de ser de fácil anotação, ele oferece ferramenta para planejamento o tempo todo”, conta.
Casado e com filha nascida há 40 dias, o consultor menciona que a esposa, Luciana Dyonísio, está se acostumando com a rotina. “Continuo a lançar tudo com a esposa. Ela não tem a mesma disciplina que eu, porque tem de lançar toda hora. Mas está se acostumando e isso é bom para o controle financeiro doméstico”, defende Felipe.
Sem privação
Mas Felipe Degelo ressalta que o controle não significa privação. “Eu não deixo de gastar com o que tenho vontade de consumir, sobretudo com alimentação. É claro que tenho controle sobre gastos de maior valor. Mas a ideia do controle via celular e com as planilhas do programa é saber quanto gastar e com o que ao longo do mês”, pondera.
Mas não é assim para todos. Cristiane Kerr dedica um tempo do retorno ao trabalho, todo dia ao final da tarde, para realizar os lançamentos. Lanço tudo em uma planilha Excell com cada tipo de despesa. Tenho duas filhas e com a separação passei maiores dificuldades. O controle na planilha me ajuda na educação financeira delas.
Cultura de aferição
O economista Carlos Sette orienta que a constituição adequada do controle do custo de vida exige a observância de alguns critérios, mesmo que sejam de natureza técnica. “A aferição do custo de vida para uma situação doméstica envolve a classificação de produtos e serviços e de que todo lançamento, mês a mês, leve em conta o mesmo produto ou parâmetro. Não funciona se lançar a cerveja de uma marca e no outro mês lançar de outra marca”, exemplifica.
Para estabelecer custo de vida entre cidades, da mesma forma, é preciso levar em conta vários “ingredientes”. “O número de amostras deve ser compatível com o tamanho da cidade, a amostragem tem de englobar todas as classes sociais e isso deve estar bem estratificado por faixa etária, sexo, endereços e tudo isso tem de estar de acordo com o perfil da cidade”, sugere.
A abrangência deve, claro, incluir vários tipos de despesas – transporte, alimentação, lazer, serviços, etc.. Ainda assim, cada município tem de montar a planilha de acordo com sua especificidade. A cesta de itens é diferente para cada lugar. “Não temos a cultura da aferição e do controle financeiro. E também não temos do comparativo, do acompanhamento. Mas é bom cada um começar a anotar, a montar mesmo que uma lista com despesas fixas e variáveis. Isso gera no tempo melhor planejamento e capacidade de escolha mais equilibrada”, finaliza Sette.
Aprendizado
O “controle” de Cristiane Kerr veio do aprendizado com o pagamento de juros elevados. “Eu usei muito cartão de crédito, vira uma bola de neve, perdi o controle e sei o quanto foi difícil equilibrar. Se não tivesse contado com a ajuda de meus pais não sei o que seria. Minhas filhas não ficam mais perguntando quando digo que não dá para comprar algo hoje. Antes, elas tinham a noção errada de que o dia do pagamento é o dia da gastança.
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