Sob o delicado toque de um violino, 30 casais de diversos bairros de Bauru realizarão o sonho de participar de um matrimônio “com pompa e circunstância”. O casamento comunitário, idealizado pelo vereador Fernando Mantovani (PSDB) e colocado em prática graças ao apoio da Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes) e de mais de 45 empresas parceiras, chega à sua 3ª edição. Neste ano, a novidade será a colaboração de uma calígrafa, que redigirá todos os convites da cerimônia marcada para 15 de junho, às 19h, no Sagae Eventos.
De acordo com Mantovani, a ideia surgiu para possibilitar a formalização da união de bauruenses de maior vulnerabilidade social. “Nós cuidamos de tudo, desde a parte de documentação até a bênção e a festa, ou seja, tudo o que as mulheres sonham em ter, nós proporcionamos a elas gratuitamente”, explica. Conforme anunciou o vereador, além da documentação, cerimônia ecumênica e festa, as empresas parceiras presentearão os casais com utensílios para a casa, como jogos de jantar.
Em apenas três anos, o evento conquistou os bauruenses. Diante disso, Mantovani pretende fazer com que a ideia se perpetue, ou seja, que continue mesmo quando ele não estiver mais no cargo. Em parceria com o vereador Paulo Eduardo de Souza (PSB), ele quer transformar a iniciativa em um projeto de lei, mas ainda não apresentou a ideia à Câmara Municipal de Bauru. “Por ser uma importante ação social, acredito que deva entrar no calendário do município, independentemente de eu ainda estar no cargo”, reitera.
E de ação social, Darlene Tendolo, responsável pela Sebes, entende muito bem. Para ela, o casamento comunitário traz um grande benefício aos casais, porque não teriam condições de promover um evento desse porte. Darlene, inclusive, será a madrinha oficial junto a Mantovani, que será o padrinho. Em entrevista ao JC, ela não conseguiu conter a emoção e desabafou: “Parece que somos nós que estamos nos casando. Imagine uma cerimônia para ser guardada na memória, é emocionante”, complementa.
Darlene acrescenta que as inscrições para o grande dia, normalmente, ocorrem durante todo o mês de maio e são selecionados os casais de maior vulnerabilidade social. Cada casal tem direito a levar dez convidados para que a festa seja aproveitada por todos. Mas como está o coração dos noivos? O JC conversou com quatro deles, que contaram, emocionados, suas histórias de amor e superação. Inclusive, a maioria delas começou nos bairros onde eles moram, trabalham ou se divertem. Confira nas próximas páginas.
O amor ao seu lado
Quatro noivos prestes a dar um grande passo e uma coincidência: eles se conheceram nos bairros onde moram, trabalham ou se divertem
Unidos pela vaidade dele
Hoje, Evelyn Ritch da Silva, 36 anos, é dona de casa, mas antes trabalhava como manicure em um salão de beleza localizado na Vila Nova Esperança, em Bauru. O vidraceiro Thiago Henrique Fernandes Frankini, 31 anos, era bastante vaidoso. Em meados de 2011, ele foi prestar um serviço no estabelecimento e acabou marcando um horário para fazer as unhas. Porém, não esperava que Evelyn iria atendê-lo. “Eu gostei dela assim que a vi. Depois disso, nós começamos a conversar e deu no que deu”, brinca.
Frankini, inclusive, tem boa memória e se lembra do dia exato em que se conheceram. “Foi no dia 2 de junho de 2011”, afirma, sem hesitar. Passado um mês, começaram a namorar. Cinco meses depois já estavam dividindo o mesmo teto e, agora, resolveram oficializar a relação porque acreditam que darão início a uma família de forma efetiva. Recentemente, eles foram contemplados pelo programa Minha Casa Minha Vida e mudaram para um apartamento novinho em folha na Vila Nova Esperança, onde tudo começou.
Evelyn tem quatro filhos - Felipe, Fernanda, Rodrigo e Jeniffer - de um relacionamento anterior e que vivem com o casal. Frankini também tem uma filha de outra relação, Vitória, mas ela mora com a mãe. Questionados sobre a possibilidade de ter outros filhos, os noivos afirmam que vão parar por aqui.
“Evelyn não pode mais ter filhos, mas me sinto como se fosse o pai deles”, acrescenta o futuro marido.
Os dois estão bastante ansiosos para o grande dia e confessam que não teriam condições de bancar uma festa desse porte sozinhos.
Festa estranha com gente esquisita
O trecho é da famosa canção Eduardo e Mônica, da banda Legião Urbana, que conta a história de duas pessoas completamente diferentes, mas que se encontraram em uma festa e se apaixonaram. O que isso tem a ver com o autônomo Fernando Rogério Silvestre da Silva, 31 anos, e a promotora de loja Nivia Maria Caetano, 25 anos?
Eles se conheceram da mesma forma, apresentados por amigos em comum durante uma comemoração promovida em uma boate localizada no Jardim Estoril, em Bauru.
Há cinco anos eles começaram a namorar, mas dois anos depois a relação partiu para um rumo mais sério. Eles passaram a morar juntos, na casa dos pais de Fernando, localizada no Jardim Vitória, onde o noivo nasceu e foi criado. Porém, como frisa o dito popular, quem casa quer casa. Com muito esforço, os dois conseguiram comprar uma residência no José Regino e pretendem mudar até o fim deste ano. “Estamos contando os dias”, comenta Silva.
Os noivos não têm filhos juntos nem tiveram em relacionamentos anteriores. “Mas eu já avisei, quero ter dois filhos”, sonha Nivea. Questionada sobre a sensação de ter uma cerimônia digna de princesa, passar a morar apenas com o futuro marido e ainda realizar o sonho de ter dois filhos, a noiva diz que está difícil controlar a ansiedade. “Tudo de bom está acontecendo ao mesmo tempo na nossa vida. Estamos contando os dias para o casamento”, finaliza.
Um casal que saiu da Bíblia
Pois é. Maria José Dias, 36 anos, vai se casar com Jesus José da Silva, 43 anos, no próximo dia 15, depois de 16 anos de relacionamento. A origem dos nomes não é o único fator que os noivos têm em comum. Eles também residiam no mesmo bairro, na cidade de Varzea Grande, no Mato Grosso, onde tudo começou. Ela, dona de casa, e ele, carpinteiro, decidiram vir a Bauru para conquistar uma vida melhor. Assim que chegaram, deram início ao namoro.
Quando desembarcaram na Cidade Sem Limites, residiam na casa de colegas no Jardim Colonial. Pouco tempo depois, conseguiram comprar um terreno juntos no Jardim Silvestre e construíram uma casa, onde moram até hoje com os três filhos, Elian, Ellen e Hector.
“Já estava mais do que na hora de oficializarmos nossa relação. Além disso, eu gosto muito dele, mas paixão não existe mais, o que ficou mesmo foi o amor”, declara Maria, que sempre sonhou em participar de uma cerimônia dessa proporção.
Portanto, o tempo não abalou a relação do casal, que afirma não existir um segredo para manter uma união duradoura. “Basta ter comunicação e paciência para entender que o outro também tem defeitos”, aconselha Jesus.
Ele, inclusive, foi bem aceito pela família de Maria, que é católica, principalmente pelo nome que tem. “Minha irmã é casada com um Noé. Diante disso, estamos todos em casa. Formamos casais que saíram da Bíblia”, pondera a futura esposa.
O amor não tem idade
Maria José Guermandi, 51 anos, estava separada e com os filhos Talita, Nathiara e Luiz Fernando já “criados” quando conheceu Pedro Vitório de Sousa, 59 anos, no Jardim Bela Vista, em Bauru, onde ela trabalhava. Ela era auxiliar de serviços gerais e ele, segurança. Porém, Sousa tinha uma namorada na época e, mesmo assim, flertava com Maria. No dia 28 de dezembro de 2008, data em que ambos se lembram muito bem, ele deixou a outra mulher para oficializar o namoro com a auxiliar.
Embora se declarem apaixonados, os dois ainda não moram juntos nem pretendem mudar a situação depois do casamento. “Eu fico um pouco na casa dela e ela na minha”, conta Sousa, que reside sozinho no Núcleo Habitacional Octávio Rasi, em Bauru.
Maria, por sua vez, mora com a filha e o genro no Núcleo Habitacional Presidente Geisel. “Não deixo os meninos por nada nesse mundo. Por isso, decidimos manter nossa relação dessa forma, cada um na sua”, relata a futura esposa.
Sousa pondera ainda que também já foi casado e teve três filhos no matrimônio passado, que são Samuel, Oziel e Mirian. Para ele, o amor não tem idade para acontecer.
“Nós nos envolvemos em um relacionamento mais maduro por conta da bagagem que já temos, e acredito que tudo vai dar certo porque não consigo ficar sem ela mais do que uma semana”, declara o noivo.
Maria também diz que não vive mais sem Sousa e está ansiosa para oficializar a relação. “Tudo o que eu nunca tive no meu casamento anterior eu vou ter nesse, desde o companheirismo dele até a cerimônia em si”, conclui.