A temática indígena está em quatro músicas do CD "Meus Quintais", de Maria Bethânia. Uma delas é assinada por Adriana Calcanhotto, e duas, por Chico César -velho parceiro da cantora.
"O índio não sai da minha cabeça. É ele o dono destas terras", diz Bethânia, contando que, assim que teve a ideia do disco, fez contato com Chico César. "Cantarolei algumas coisas, mas ela quis canções minhas", lembra César. Das seis opções que apresentou, ficaram no disco a milonga "Xavante" e a bem construída "O Arco da Velha Índia", que a cantora adora.
"Eu tinha o poema de "Xavante" guardado e achei interessante musicá-lo, pois fala do índio do Sul", conta. "A outra faixa fiz pensando em Bethânia, que, como uma índia, guarda a sabedoria do passado sem deixar de aplicá-la no presente."
Em "Uma Iara/Uma Perigosa Yara", música de Adriana Calcanhotto, a surpresa é a leitura de um texto de Clarice Lispector (1920-1977) sobre a lendária sereia da Amazônia. "Povos do Brasil", de Leandro Fregonesi, fecha a homenagem.