Bairros

Feche a rua que é tempo de festa

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 3 min

Há pelo menos uma década, a quadra 3 da rua Bauru, no bairro Santa Luzia, vira festa para celebrar a amizade entre os vizinhos com uma festa julina. E a tradição é organizada por uma das também mais tradicionais famílias do bairro: a “família Fumaça”.

João Batista, mais conhecido na cidade como o massagista João Fumaça, é o patriarca da família festeira e, ao lado da filha Alessandra Regina Silveira da Silva, ou simplesmente Alessandra Fumaça, conta como tudo teve início...

“Minha família tem três casas na mesma quadra. Há uns dez anos, nessa mesma época, um sobrinho meu, o Fumacinha, comprou uns doces típicos de festa junina, parou o carro na rua e colocou um som. Pronto, a família se reuniu e a vizinhança foi chegando. Estava formada nossa primeira festa julina”, recorda.

Alessandra lembra que, no ano seguinte, a festa se tornou mais organizada. A comemoração foi crescendo e, no ano passado, o arraial da quadra 3 da rua Bauru recebeu ao menos 300 pessoas. “E cada um traz um prato, seja salgado ou doce. Distribuímos os convites e pode participar quem sentir vontade, mas é preciso colaborar. Este ano, a festa está marcada para o dia 12 de julho”. 

A decoração conta com bandeirolas, muitas delas espalhadas pela quadra toda, pela família e vizinhos. Todo mundo se veste à caráter e o que não falta é chapéu de palha na hora de arrastar os pés na quadrilha e no casamento caipira comandados por Matilde Silveira, irmã de Fumaça. A música fica por conta também da sanfona do Fumaça.

“Isso sem falar nas barracas de comidas. Montamos ao menos umas sete com cachorro-quente, pipoca e muitas outras coisas gostosas para comer e beber. Este ano teremos uma novidade: a competição no pau de sebo”.


De pai para filho

A festa da família também é uma tradição que passa de pai para filho. De acordo com Alessandra, Fumaça sempre organizou o arraial junto com os vizinhos e, agora, os filhos estão fazendo o mesmo.

“Outra tradição nossa é o troféu. Todo ano damos um símbolo a uma das pessoas que estão na festa desde o início como forma de homenagem. Nesse momento, contamos a história da nossa união”, relata Alessandra.


Resgatando a tradição

No condomínio Sabiá 3, os moradores estão se organizando para resgatar a tradição perdida há anos. “Antigamente, éramos referência em festa junina para outros condomínios. Mas a festa foi parando de ser feita. No ano passado, fizemos uma bela celebração no Dia das Crianças. Como o resultado foi muito bom, agora estamos organizando uma festa julina para o dia 19”, narra o subsíndico Rubens Lovison.

A ideia, segundo ele, é promover a confraternização entre vizinhos depois da Copa do Mundo. Para tanto, a comissão de festas do condomínio está se organizando junto aos moradores. Cada morador ou convidado participará do sorteio de um prato quente ou frio. “Além disso, os participantes deverão pagar R$ 5,00, dinheiro que será revertido para a compra de bebidas, pipoca, algodão doce... E cada vizinho pode trazer até quatro convidados”, explica o subsíndico.


Prendas

Quadrilha e uma fogueira artificial farão parte dos festejos. Outro resgate das tradições da época promovido pelos moradores do Sabiá é o ato de pedir prendas no comércio da região para o arraial. “Estamos pensando em pedir para os supermercados, por exemplo, fornecerem as bandeirinhas. É uma maneira também de prover o seu estabelecimento, além de colaborar com nossa festa”, enfatiza.

Comentários

Comentários