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Carro híbrido chega a Bauru e agrada

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 4 min

Tecnologia de ponta, baixo consumo, redução de ruídos e de emissão de poluentes na atmosfera. Após alguns anos de lançamento no mercado brasileiro, os carros híbridos – movidos a eletricidade e combustão - chegam a Bauru. “Não largo o meu nunca mais”, garante Marcelo Parra, um dos donos dos três comercializados na cidade. Apesar disso, o alto custo e a falta de incentivos ainda são grandes limitadores.

Embora pareça desprezível, o número de três carros em Bauru é importante se comparado à quantidade de vendas em todo o País. Segundo veículos de comunicação especializados, não supera mais de 500 unidades comercializadas este ano.

As vendas na cidade, no entanto, contemplam apenas o modelo de uma única marca: o Ford/Fusion 2.0 Hybrid, que chega a um preço médio atual de R$ 128.700 – cerca de R$ 8 mil a mais do que o movido à combustão. Este, inclusive, é elencado como um dos carros “verdes” mais baratos.

Em fevereiro, o representante comercial Marcelo Parra trocou seu compacto flex para se “aventurar” - como ele mesmo diz - com o Fusion híbrido. “Viajei 820 quilômetros com cinco pessoas dentro do carro e gastei só um tanque de 50 litros. Sem falar que o carro não faz barulho nenhum e não tem vibração. Não largo meu híbrido nunca mais”, elenca Parra.

“E ainda, de quebra, polui menos o meio ambiente”, acrescenta o representante comercial.

Em outra concessionária da cidade, conforme o JC apurou, o Toyota/Prius também é comercializado sob encomenda, mas nenhum pedido foi registrado aqui desde seu lançamento em 2012, conforme a gerência da unidade.

Outros modelos como o Nissan/Leaf, BMW/Active Hybrid, Volvo XC60, Lexus CT, Mercedes/S400, Porsche Cayenne e Panamera também fazem parte do rol de carros híbridos lançados, mas com fabricação fora do Brasil.


Sem incentivo

A aposta das marcas em modelos mais luxuosos, segundo o engenheiro mecânico e consultor automotivo, Marcos Camerini, se deve exatamente à falta de incentivos tributários.

“O que temos é tudo importado. O Fusion é o único que tem saído em Bauru. Essa tecnologia ainda é muito cara por causa da quantidade de sensores e controladores. O motor elétrico liga e desliga dependendo do uso. Em São Paulo, o governo até importou alguns modelos para táxi, mas não há nenhum incentivo de fato”, avalia o especialista. “Ninguém quer lançar compactos aqui. O preço de um híbrido está quase 50% mais caro do que seu equivalente à combustível”, acrescenta.

A mesma percepção é partilhada pelo diretor da concessionária de Bauru que efetivou as três únicas vendas de carros verdes na cidade. “As peças são importadas e a manutenção acaba saindo cara depois do fim da garantia. Apostamos no luxuoso. Até porque o consumidor que busca o carro compacto não quer pagar R$ 7 ou 10 mil a mais no mesmo modelo. Ainda não percebo uma consciência do consumidor sobre a questão ambiental”, aponta Jorge José Simão Neto.

“O governo deveria, pelo menos, reduzir o IPI (Imposto sobre Produto Industrializado) ou dar algum outro desconto para incentivar a produção e o consumo de carros com energia limpa”, completa.


Ainda sem dar incentivos, governo estuda zerar IPI dos ‘carros verdes’

Questionada sobre a possibilidade de incentivos fiscais para expandir a comercialização de carros híbridos, a Secretaria da Fazenda do Governo do Estado, informou apenas que não há benefícios previstos para este tipo de veículo no Estado.

Em abril deste ano, contudo, a presidente Dilma Rousseff (PT) disse a empresários da indústria automobilística, durante um encontro no Palácio do Planalto, ter solicitado à sua equipe econômica a aceleração de um projeto de incentivo à pesquisa, desenvolvimento e produção de veículos com novas fontes de propulsão no Brasil.

A ideia é que o governo aja zerando a alíquota do IPI desses veículos, que, hoje, chega a 25%. Por não serem fabricados em território nacional, há ainda outros 30 pontos porcentuais.

Em tempo: no fim de maio, o prefeito Fernando Haddad (PT) sancionou projeto que exclui os híbridos do rodízio e ainda devolve parte do valor pago no IPVA.


Benefícios

Entre as vantagens dos carros híbridos, Marcos Camerini destaca a vantagem ambiental aliada ao custo benefício. “Ele é grande e luxuoso e tem consumo de um carro compacto popular. Pode chegar a 50% de economia. O motor elétrico também não emite ruído e nem fumaça”, destaca o consultor.

Para fins comparativos, uma das únicas diferenças físicas do Fusion híbrido para o convencional, com os mesmos opcionais (o Titanium Ecoboost AWD 2.0), é a existência de dois motores (elétrico e à combustão) e o espaço no porta malas, que diminui de 514 litros para 392 litros.

O híbrido também é cerca de 50 quilos mais leve que o comum e possui torque um pouco menor do que o motor EcooBoost, do convencional. “Ele chega a fazer 17 quilômetros por litro, seis litros a mais do que o normal. O motor elétrico funciona até atingir cerca de 70 quilômetros por hora, depois reveza com o motor a combustão. A bateria não precisa ser recarregada”, detalha Jorge Simão Neto.

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