A bauruense Gabriela Serigatto sempre esteve em contato com as artes. Cresceu em um ambiente tendo a avó paterna, Terezinha Serigatto, costureira e a avó materna, Maria Yvanny Theodoro Pinheiro, professora de artes e que também lhe ensinou crochê.
Hoje, Gabriela é uma das poucas brasileiras que tem a chance valiosa de mostrar seu trabalho no Exterior. Moradora dos Estados Unidos há quase três anos, ela vive em Nova Iorque, onde se empenha para divulgar seu trabalho, peças da marca ‘Gabriela Serigatto’, que apostam no crochê e tricô tridimensional.
O principal conceito da marca “Gabriela Serigatto” é a criação de peças de vestuário únicas e apontadas como inovadoras, com o uso de técnicas manuais tradicionais de crochê e tricô. “Usando uma linguagem de moda e artes moderna desenvolvo duas linhas, uma artística, em que crio esculturas para o corpo, e outra mais comercial, de acessórios para serem usados todos os dias em que prezo, além da inovação, o conforto e as tendências de moda”, explica Serigatto.
O carro-chefe da marca é definitivamente o crochê e tricô tridimensional, a construção de volumes usando técnicas manuais que resultam num produto bastante diferenciado e novo. “Meu objetivo é tirar a mesmice e a cópia da moda. Arte, cinema e música são minhas principais inspirações. Adoro me inspirar em personagens do cinema cult de diretores como os dos filmes do David Lynch, Jim Jarmusch e Terry Gilliam. Para as silhuetas de minhas peças, uso formatos orgânicos e me baseio nas texturas de plantas e animais. E da música, traduzo o estilo e atitude que irá ser transportado a quem usar a peça”.
Início
A bauruense começou a carreira em sua cidade natal, quando cursou Educação Artística entre 2003 e 2004, na Unesp. Mas viu que a paixão pela moda era mais forte e, então, partiu para São Paulo, onde formou-se na Faculdade Santa Marcelina, uma das principais referências de formação em moda do Brasil. Inicialmente, Gabriela foi para os EUA para aprender inglês. Morou na cidade de Seattle, em uma casa de família norte-americana, que a ajudou na adaptação à nova cultura.
Nos EUA, já participou com seu trabalho em algumas exposições e pesquisas. Recentemente, expôs no evento da revista Vogue Knitting, em Nova Iorque, no Hotel Marriott (Times Square). Ainda lançou um documentário, “Gabriela’s Yarn”, dirigido pelo diretor e produtor Scott Wilson (o vídeo pode ser visto no site do diretor: www.emergence-series.com)
Além de divulgar seu trabalho de raízes brasileiras, Gabriela frequenta museus, galerias de artes, bibliotecas e assiste à aulas. ”Atualmente frequento o Textiles Arts Center, um centro de estudos têxteis com programas direcionados. Adoro me inspirar na cena artística do Brooklyn, lojas, galerias, música e arte de rua”, conta.
Incentivos
Para Gabriela, a vida em Nova Iorque proporciona uma experiência multicultural. E ainda, ela afirma que o Brasil é visto com bons olhos. “Sempre tenho boa recepção por ser brasileira, o nosso país está sendo bem reconhecido aqui”. Ela conta que, diferentemente do Brasil, o incentivo para quem quer trabalhar com artes e moda é grande. “Aqui, em NY, os incentivos e investimentos em moda e artes por parte do governo e grandes empresas são muitos. Existem projetos artísticos e de moda financiados pelo governo e empresas que são muito bem divulgados. Incentivo à cultura ainda falta no Brasil, por isso o interesse pelo segmento de criatividade na moda ainda é pequeno”, diz.
Serviço
Contato com Gabriela Serigato: e-mail: gabrielaserigatto@gmail.com;site: https://www.gabrielaserigatto.com/; FanPage: “Gabriela Serigatto”.