Tribuna do Leitor

Saudade não tem idade


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Ao receber meu JC no sábado, 14/6, deparo com a chamada de capa que dizia: Adeus, Marlene.

Fechei os olhos e mergulhei num mar de recordações, e "nadei" até a década de "50", onde o navio em que trabalhei por mais de vinte anos e que naquela época ficava "atracado" no porto do Rio de Janeiro, exatamente no "Pier 2", da praça Mauá, onde fica o edifício "A Noite", no número 8, em cujo 22.º andar ficava o auditório da Rádio Nacional do Rio de Janeiro. Eu era fã da Emilinha Borba, rival "figadal" da falecida Marlene, e as brigas entre os fãs eram constantes com troca de sopapos e safanões dos mais exaltados.

Já imaginaram subir 22 andares pelas escadas? Pois era o que acontecia quando os elevadores quebravam (eram só dois). A gente chegava até o auditório mais morto do que vivo.

Mas valia a pena, pois tínhamos a oportunidade de abraçar a "rainha da Marinha" e cantar com ela a "Chiquita bacana", "Dez anos" e a famosa "Vai, com jeito vai".

Emilinha cantava no programa "Paulo Gracindo", enquanto que a Marlene, que se chamava Vitória Bonaiúte, cantava no programa "Cezar de Alencar", que possuía um par de orelhas tipo "jumbo".

Uma vez, ganhei um "alfinete de lapela" com um microfone e a palavra "radialista" do Renato Murse, onde participei do seu programa "Papel carbono", cantando "Maria Bonita", do Agostin Lara.

Dei o alfinete para o caríssimo João Costa, do "Manhã Colorida" da Jovem Auri-Verde, como presente.

Além da Emilinha e Marlene tinha também Dalva de Oliveira com a sua "Bandeira branca", Ângela Maria e o seu indefectível "Babalu", Carmélia Alves, a rainha do baião, Isaurinha Garcia, Noraney, e o maridão Jorge Gulart, e a sua "Jesebel", entre outros.

Foram tantas passagens que seria preciso uma "edição especial" do JC para contar tudo.

Mas, por hoje basta... Continuarei com minhas saudades mas muito feliz por ter "vivido" tudo aquilo.

Obrigado, Jornal da Cidade (o melhor jornal do nosso mundo), pelo espaço.

Que Deus abençoe a todos.

Irineu Luzia Fernandes (um aposentado poeta e jamais um poeta aposentado

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