Cultura

Andanças literárias

Nelson Gonçalves
| Tempo de leitura: 2 min

Imagine andar pela terra da garoa explorando a relação entre construções e praças, cada endereço, a partir de versos literários? É o que o jornalista especialista no gênero, João Correia Filho, convida no livro “São Paulo, literalmente”, a terceira obra de sua autoria pela Editora Leya que faz uma conexão entre lugares e literatura.

 

O autor, natural de Leme mas que mora atualmente em Bauru, já publicou “Lisboa em Pessoa” e “À luz de Paris”, ambos guias turísticos literários onde a premissa é degustar os ambientes sempre com as vertentes históricas e construtivas, mas sem deixar de saborear a literatura presente em cada um desses locais. A experiência deu tão certo em terras portuguesas e parisienses, que Correia nos oferece mais um roteiro, agora na Capital paulista.

 

São 11 itinerários, divididos por região, cada qual apresentados pelos principais nomes da literatura brasileira. Por razões naturais, os roteiros traçam linhas e versos em torno da influência e significado do movimento modernista em São Paulo, a partir de autores como Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Guilherme de Almeida.

 

Por sinal, no livro em fase de lançamento, o jornalista faz o recorte histórico e literário de cada canto escolhido. Neste caso, natural a conexão com o Modernismo, movimento artístico que nasceu em São Paulo no início do século XX e refletiu as transformações que levaram a cidade a se tornar uma grande metrópole.

 

“O livro traz, naturalmente, uma São Paulo com a ideia do antropofágico presente no movimento modernista, uma cidade em que o dinamismo a refaz todos os dias, ao contrário de Lisboa, marcada por colinas, e de Paris, onde andar a esmo pelas praças faz tanto sentido”, menciona.

 

Sem qualquer comparação, mas para recuperar as três obras lançadas, em Lisboa os mirantes convidam a compreender como as colinas inspiraram o poeta Fernando Pessoa; em Paris, os cafés espalhados próximos de praças deram mais charme aos escritos de Vitor Hugo e Charles Boudelaire; e, claro, em São Paulo, a cidade pulsante tem relação direta com a efervescência dos modernistas.

 

Passeio

 

O passeio literário turístico por São Paulo se inicia pelo núcleo original da cidade, conhecido como Triângulo Histórico, onde foi fundada a Vila de Piratininga, em 1554. Depois o convite vai para o centro expandido, que inclui bairros como República, Bixiga, Liberdade e Luz. 

 

O livro continua seu “percurso” pela Avenida Paulista e de lá para Consolação e Higienópolis. A partir daí, segue para as demais áreas da cidade – Zona Leste (Brás e Belém), Zona Sul, que tem dois itinerários (Vila Mariana e Ibirapuera), Zona Oeste (que inclui os bairros de Pinheiros, Vila Madalena, Perdizes, Pompeia, Lapa e Barra Funda) e Zona Norte (com destaque para o Pico do Jaraguá). 

 

Os itinerários, conta o autor, foram divididos de acordo com o universo literário a que pertencem, pela proximidade geográfica e histórica e pelas facilidades de locomoção entre eles. “Para auxiliar o leitor com a localização, há um mapa no que mostra onde está cada itinerário”, informa a editora.

 

 

 

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