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Apologia à vida

Roldão Senger
| Tempo de leitura: 2 min

O que é a vida, afinal? A vida...?

A vida é o sorriso, o canto da alma, a felicidade, o vento que sopra, a natureza que flui, o sol que desponta sorrindo, brilhando. O pássaro que voeja, simbolizando a liberdade; é o perfume da flor, que, na sua pureza, reflete o amor. É a música que toca o imo da alma, buscando, nas dobras do tempo, lembranças que o tempo levou. É a treva da noite, é o céu de estrelas, é a lua que encanta. É amor, é justiça.

A vida é paz, é sonho, é fartura, é esperança, é alegria, é bonança, é tempo que voa, é conto-de-fada, é mar-de-rosas. A vida...?

A vida é castelo-de-areia, é drama, é comédia, é problema, é solução, é criança que chora, é o homem que passa cabisbaixo, sob o peso das vicissitudes . É luta, é suor, é trabalho, trabalho bendito que irrita e educa, que exige e dá o pão, que cansa e redime. É a lágrima que verte e alenta. É o salário, polpudo ou minguado, não importa, porque a vida é rosca sem fim. É o zurzir da saudade da infância inocente, que também passou.

A vida é a fome que rói, o calor que sufoca, o frio que regela, a dor que deprime, a preguiça que entorpece, a inveja que avilta, a ostentação, a luxúria. É a solidão que machuca, a lentidão das horas, o tédio que desespera.

A vida...?, é o pulular da cidade que a regurgita através de sons, de cores, de formas que simbolizam alegria, tristeza, trabalho, saúde, doença, paz, esperança, aflição, vaidade, opulência, altruísmo, ironia, desejo, fartura, miséria, angústia, ódio, amor, frustração, saudade, torpeza, injustiça, caridade, fraternidade, perseverança, coragem, devassidão, sofrimento.

A vida...?, é o momento que passa, repleto de angústia ou cheio de graça, que faz refletir.

É palco de ilusão, onde se chora, se ri, se canta, se lamenta, se vibra, se humilha, se enaltece, se ama, se odeia.

É baú de reminiscências, onde os guardados se traduzem em soluços de dor, em decepções, em arrependimentos, em fracassos, mas também em felicidade, em sucessos, em tempos alegres, em realizações. É celeiro de esperanças, em que se guardam os projetos de vida, os anseios de conquistas, a fé no futuro.

A vida é a realidade de cada um, compartilhada com a realidade do mundo e submissa às exigências do corpo e da sociedade.

Viver, portanto, é a arte de conviver com as incertezas, alimentar-se de esperanças e caminhar entre abrolhos.

O autor é membro da Academia Bauruense de Letras (ABL)

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