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Nova fase do MCMV terá mais casas

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Durante o segundo sorteio da segunda fase do Minha Casa Minha Vida (MCMV), realizado pela manhã deste sábado (28), no Estádio Alfredo de Castilho (do Noroeste), em Bauru, a vice-prefeita Estela Almagro (PT) informou que, na terceira fase do programa, serão sorteadas muito mais casas. 

 

Por facilitar a presença de animais e até viabilizar o trabalho com reciclagem, por exemplo, elas têm a preferência principalmente de moradores de áreas de risco e irregulares, algumas ainda denominadas como favelas, reiterou também o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB).

 

Neste sábado, foram entregues ao todo 2.208 imóveis (1.612 disponíveis para o sorteio e 596 reservados para demanda dirigida), todos apartamentos distribuídos em nove empreendimentos. 

 

“Na fase três, temos tramitando empreendimentos com mais de duas mil casas. Outros são mistos. Vamos ter essa experiência: residencial com prédios e casas. Só no Jardim Europa serão 267 casas”, comenta Estela, também coordenadora do Grupo Multissetorial.

 

Emoção

 

Embora os empreendimentos não tenham sido assinados, a expectativa é que mais de 2.500 casas sejam sorteadas, além de apartamentos, na terceira fase. “Para mim não interessa casa ou apartamento. Quero o meu lugar. Glória a Deus. Orei muito para ser sorteada”, comentou a diarista Cláudia Valquíria, 40 anos. Atualmente, vive com o filho de 11 anos e o marido em um imóvel de três cômodos cedidos pela sogra.

 

Chorou muito ao ter o nome proferido e ao abraçar Estela, também aos prantos. Entre um copo de água e outro, a vice-prefeita contou ter recebido anteontem denúncia por escrito de que parte das famílias encaminhadas ao Jardim Ivone retornou às imediações do Córrego Barreirinho. Teriam locado o imóvel sorteado.  

 

“Não vamos tolerar esse tipo de situação”, afirmou Rodrigo. Ao discutir o problema das favelas, defendeu ação centrada para tentar alocar uma boa parte das famílias em área de risco. Até porque, destacou, sairão muitas residências no MCMV3. Por enquanto, apenas o Buritis conta com casas. Todos os outros são apartamentos, como o recebido ontem pelo casal Reginaldo e Renata Constantino.

 

Eles moram no fundo de uma igreja, que ajudam a zelar. Evangélicos, acreditam terem sido abençoados ontem ao serem sorteados com um apartamento. 

 

Fase 2 ainda terá outros sorteios

 

Mais sorteios estão previstos ainda na fase dois do programa MCMV em Bauru. “Inclusive, na próxima semana, provavelmente, vamos dar ordem  de serviço para mais de mil unidades ainda nesta fase”, explica a vice-prefeita Estela Almagro

 

Ontem, a cota para inscritos com mais de 60 anos dobrou (20%) em relação ao último sorteio, quando o grupo teve direito a 10% das unidades, conforme o JC já havia divulgado. Mas foi reduzida de 60% para 50% a cota para mulheres chefes de família. Já as pessoas com deficiência física tiveram direito a, pelo menos, 3% das unidades sorteadas. 

 

O restante - 27% - esteve disponível para os inscritos com outros perfis: homens solteiros ou chefes de família e casais homoafetivos, por exemplo. Todos os mais de 25 mil inscritos, porém, devem possuir renda familiar de até três salários mínimos para serem, de fato, contemplados pelo programa federal. 

 

Entre eles estava Ana Gabrielly de Souza, 21 anos, que aguardava ser chamada com o pequeno Iago Diogo. Ontem, o menino completou 1 ano para a felicidade da mãe, que gostaria de presenteá-lo com um apartamento obtido no sorteio.

 

Custos

 

O valor dos terrenos foi determinante para que o programa MCMV sorteasse, até agora, muito mais apartamentos do que casas em Bauru, informa o chefe do Executivo, Rodrigo Agostinho.

 

“O preço do imóvel no Estado de São Paulo subiu 168% nos últimos cinco anos, enquanto a renda da população, apenas 22%. Mas algumas áreas novas incorporadas ao perímetro urbano estão permitindo que haja acomodação no preço do mercado e a gente a ter mais casas”, finaliza.

 

Secretaria

 

Embora a vice-prefeita Estela Almagro (PT) tenha abandonado as cobranças em relação à criação da Secretaria Municipal de Habitação, prometida desde 2008, o prefeito diz não ter desistido dela. 

“Bauru precisa. O problema é que a arrecadação não está grande coisa, ao ponto de pensarmos na criação de novas estruturas. Mas não desisti”, diz Rodrigo.

 

Para Estela, trata-se mais de uma questão política. “Não estamos discutindo favelas? Como enfrentar esse desafio em um município com essas complexidades sem uma pasta com orçamento próprio, equipe própria?”, diz.

 

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