Quioshi Goto |
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Um aperto de mãos seria um bom começo para estreitar as relações sociais |
“Bom dia”, “boa tarde”, “boa noite”, “por favor” e “obrigado”. São palavras mágicas quando o objetivo é dar um ar de humanidade às relações sociais, cada vez mais frias. E foi exatamente esse problema que chamou a atenção da bauruense Mônica Valentim. Ela resolveu aproveitar a abrangência das redes sociais para promover o “Dia da Gentileza” hoje. O sucesso foi tanto que mais de 6 mil internautas do País e do Exterior assumiram a responsabilidade de tratar bem o próximo durante 24 horas ininterruptas.
Mônica é graduada em psicologia pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, mestre em psicologia experimental pela Universidade de São Paulo (USP) e doutora em pediatria pela Unesp de Botucatu (100 quilômetros de Bauru). Ela deixou a Cidade Sem Limites há seis anos e meio para morar no Rio de Janeiro com o marido, que é carioca.
Diante disso, ao ler uma reportagem em um jornal do Rio, que dizia que os cariocas estariam menos gentis por conta da Copa do Mundo, a internauta resolveu colocar o projeto em prática. “Foi aí que resolvi promover o ‘Dia da Gentileza’. Eu enviei o convite apenas aos meus amigos, mas o evento ganhou grandes proporções”, conta a psicóloga.
Para Mônica, internautas brasileiros, argentinos, australianos, paraguaios e norte-americanos se interessaram pela iniciativa. “A ideia é que as pessoas tentem ser gentis com as demais que estão em volta, pelo menos, por 24 horas”, pondera a psicóloga. Contudo, Mônica ainda tem a esperança de que a iniciativa consiga mobilizar as pessoas para praticar a gentileza todos os dias, sem exceções. “Com o evento, espero que muitos parem para pensar nas próprias atitudes”, finaliza a internauta.
Frieza
De acordo com o antropólogo e professor da Unesp de Bauru, Claudio Bertolli Filho, falta humanidade nas relações sociais, que estão cada vez mais frias. Ele explica que isso ocorre porque existe uma tendência pós-moderna de rejeitar valores burgueses, classe que passou a praticar a gentileza - comportamento típico dos cortesãos da monarquia - depois da Revolução Francesa (1789-1799).
O antropólogo diz ainda que a frieza nas relações sociais é ainda mais evidente entre os jovens. Bertolli relata que é muito difícil presenciar atitudes, como um simples aperto de mãos, partindo das novas gerações. “Essa tendência começou na década de 1970, época em que os brasileiros pensavam que qualquer comportamento desse tipo era digno dos burgueses, classe vista com preconceito pela maioria”, conclui o professor.
Profeta Gentileza
José Datrino, mais conhecido como Profeta Gentileza, nasceu em Cafelândia (83 quilômetros de Bauru). Ele era uma personalidade urbana carioca, uma espécie de pregador. Datrino tornou-se famoso na década de 1980, graças às inscrições elaboradas sob um viaduto, localizado na avenida Brasil, no Rio de Janeiro. “Amor: palavra que liberta”, uma das expressões mais conhecidas, que chegou, inclusive, a inspirar a música “Gentileza”, de Marisa Monte.
Na década de 1960, ocorreu um incêndio no circo Gran Circus norte-americano, em Niterói, no Rio de Janeiro, tragédia em que morreram mais de 500 pessoas, sendo a maioria crianças. No dia seguinte, o Profeta Gentileza pegou um caminhão e foi até o endereço do incêndio. Lá, ele plantou um jardim e uma horta sobre as cinzas e morou na região por quatro anos com o intuito de consolar as famílias e incutir o verdadeiro sentido das palavras “agradecido” e “gentileza”. Ele morreu em 1996. Espera-se que a gentileza que ele tanto pregava ainda continue viva...
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