A queda do viaduto que desabou em Belo Horizonte, ontem, pode estar relacionada à fundação da obra. É o que diz o vice-presidente do Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia (Ibape) de Minas Gerais, Clemenceau Chiabi.
Engenheiro civil formado pela UFMG e diretor técnico do Ibape nacional, Chiabi explica que as estruturas superiores do viaduto, as únicas visíveis até o momento, não indicam ter apresentado algum problema que levasse ao desabamento da obra.
“O que leva a inferir que o problema vem das fundações. Aí vem as origens possíveis, que seriam causas naturais, uma falha de projeto, uma falha de execução ou uma falha dos materiais que foram utilizados na construção. Essa análise está sendo feita no momento.”
Segundo Chiabi, existem dois tipos de sustentação para um viaduto: o de carga de fundo e o de atrito lateral. No primeiro caso, “a estaca se apoia em alguma rocha ou em terreno muito duro, e suporta pelo fundo. Se ela se apoiar em cima de uma rocha muito firme, basta o apoio dela na rocha, não precisa considerar o atrito”.
Quando se usa o atrito lateral, caso do viaduto de Belo Horizonte, a estaca é “mais profunda e mais larga. Por atrito do próprio concreto com o terreno, calcula-se qual o comprimento dessa estaca é necessário para dar o atrito necessário que vai suportar aquele peso”.
“O terreno determina o tipo de estaca”, afirma Chiabi, que não teve acesso ao estudo de sondagem do terreno da região onde está localizado o viaduto que desabou, matando duas pessoas e deixando outras 22 feridas.
De acordo com o engenheiro do Ibape, a construção era sustentada por dez estacas, com diâmetro de 800 milímetros e 22 metros de profundidade cada uma.