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"Ficar parado não significa estagnar"

Dulce Kernbeis
| Tempo de leitura: 3 min

“Antes de tomar qualquer atitude, pense bem, analise tudo”,  aconselha a psicóloga Mauricéia Quinhoneiro, especialista em terapia cognitiva. Para ela, é preciso uma “análise cuidadosa das circunstâncias, dos fatores que levaram à insatisfação”. Esses fatores precisam ser conhecidos, e claro, atacados. Assim como a frequência, a intensidade e duração do sentimento de inércia, da vontade de não fazer nada. “Descartando as circunstâncias de estresse e alienação, podemos entender que a coragem para promover mudanças saudáveis e significativas está entre as principais representações de autoconfiança e saúde emocional”,  sinaliza Mauricéia Quinhoneiro. Aqui vão algumas dicas práticas dela.


Não fugir

“Estresse, cansaço, depressão, problemas financeiros ou de relacionamento tendem a comprometer o entusiasmo e a satisfação com  tudo e com todos. Não é uma boa hora para pensar em mudança, especialmente aquelas que envolvam  grandes riscos e comprometimentos. Muitas pessoas sentem-se impotentes diante do estresse pertinente às contrariedades da  vida e pensam na mudança como estratégia de esquiva apenas”.

Calculadas

“Mudanças mais assertivas tendem a ser bem calculadas e precedidas  por momentos de maior estabilidade emocional, mas isso não é regra. Algumas pessoas, embora insatisfeitas, se acomodam na tediosa zona de conforto e precisam vivenciar situações extremas  para obter a coragem necessária para jogar tudo para o alto”.

Autoconhecimento

“Toda mudança deveria  estar respaldada num corajoso processo de autoconhecimento. As nossas ações, mesmo aquelas que soam como despretensiosas, são sempre estratégias para uma meta. Tais metas algumas vezes são bem claras, outras vezes, nem tanto”.

Ilusões

“Saber o que, de fato, se pretende alcançar com esta ou aquela mudança será um bom  ponto de partida. Expectativas irrealistas podem culminar em arrependimentos e frustrações”.

E o medo?

“O que você faria de diferente na sua vida se não tivesse medo? Está aí outra pergunta poderosa. O medo é a pior das prisões. Muitas vezes as pessoas distorcem ou exageram a percepção de ameaça e ficam aterrorizadas diante do novo, do ainda desconhecido. Tive a oportunidade de atender pessoas relutantes a muitas mudanças necessárias como separação e emprego e que depois se ressentiram por terem demorado tanto. Lógico que existiram dificuldades, porém, bem menores que aquelas previstas pelo medo”.


Lamentações

“É doentio passar o tempo todo se lamentando e não fazer nada a respeito. São inúmeros os caminhos que levam à satisfação. Incontáveis. O grande problema é que vivemos  a ditatura de alguns poucos modelos que imperam como referência de satisfação e felicidade. Compramos a cara do mundo e nos iludimos em acreditar que estamos sempre precisando disto ou daquilo para nos sentirmos  bem e integrados”, explica Mauricéia Quinhoneiro.


Voltar atrás

“Conheço muitas pessoas que construíram carreiras de sucesso nas  grandes  capitais do Brasil e do mundo. Atualmente observo que uma grande parcela deste grupo  retorna ao interior ou se integra em comunidades autossustentáveis sedentos por simplicidade e qualidade de vida”, aponta a terapeuta.


Escolhas

“O tempo todo estamos escolhendo entre ficar ou seguir em frente. A grande questão é que ficar não significa estagnar e seguir em frente também não significa evoluir. A dinâmica entre  as  crenças e os valores  que fundamentam nossas escolhas é o que realmente faz a diferença quando a meta é conquistar um sentido legítimo de satisfação”, finaliza Mauricéia Quinhoneiro.

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