Assim está corretamente grafado, no singular: ciúme. E ficou em evidência durante a semana (adivinhe?) por causa da Copa. Seis jornalistas foram chamados por Felipão para uma conversa reservada. A iniciativa do técnico teria despertado ciúme de colegas da imprensa. "Ciúme de homem é brabo", resmungou Felipão ? no melhor estilo Felipão de ser. Até a elogiada imparcialidade de um desses eleitos para a tal conversa começou a ser discretamente colocada em dúvida por alguns de seus pares após o tal encontro com o treinador. Dor de cotovelo? Provocação? Ciúme de homem?
Pela internet está lá uma boa definição: "Ciúme é a manifestação provocada pela falta de confiança no sentimento do outro". E outro autor, talvez enciumado, resolveu tentar uma definição ainda melhor: "Ciúme é sentimento provocado pela falta de exclusividade". Um terceiro, muito amigo do primeiro, teria saído em sua defesa ? e com um alerta ao segundo: "Ciúme é parente próximo da inveja". Que confusão!
Seja como for, o ciúme pode desencadear reações extremas. Quem já foi vítima, sabe. Todo mundo diz querer levar "uma vida moderninha, não bancar o possessivo", como na música do Ultraje a Rigor. Mas... "paira, monstruosa, a sombra do ciúme", como na canção de Caetano.
E já que o tema veio à tona no rastro da Copa, melhor se precaver e saber quando é doentio o tal curioso sentimento ("medo de perder alguém amado para uma terceira pessoa", em outra explicação. Quando é doentio? Quando trava relações e vira fixação ("fantasmas no meu quarto", como no roquinho legal do Kid Abelha). Ciúme de casais: prova de amor ou atestado de insegurança?
Nas palavras de um autor desconhecido talvez repouse, enfim, a mais feliz elucidação: "Ciúme é constrangida homenagem que a inferioridade presta ao mérito". Quase dá pontinha de inveja (digo, ciúme) por tamanha precisão. Lembrando que a parada agora, sem Neymar e Thiago Silva, contra a Alemanha, será dura demais. Ignore os ciumentos, Felipão.
O autor é editor executivo do JC