Tribuna do Leitor

O banco de terra


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O pedreiro que construiu minha casa mora no Popular Ipiranga, numa casa simples para lá de onde Judas perdeu as botas. Por anos, recordo-me dele contando sobre as "eguinhas" que ele tem, mas nunca dei muita importância. Recentemente, ao encetar um diálogo mais prolongado, ele voltou a falar das éguas que ficam sozinhas no pasto. Perguntei-lhe que terras eram aquelas e se, ao acaso, faria criação de cavalos. Disse-me que não, que só comprava os animais porque gostava. Achei estranho, pois ter animais numa terra sem que produza renda é algo irracional. Perplexo com a história, perguntei ansioso: "Mas que terras são estas?". Com a resposta, o susto veio à galope.

"Ah, Ivan, essas terras a gente ganhou com o Banco da Terra". Com a maior naturalidade e risonho, sem ter a mínima noção do quão grave era o que dizia, ele explicou que aquelas terras foram "dadas pelo Lula". Simples assim. Foram dadas sem qualquer contraprestação, seja para produção, manutenção, pagamento ou, quiçá, tributação. A área, próxima à Garça, compõe 60 lotes distribuídos pelo programa de assentamento, do qual ele e a esposa (auxiliar de serviços concursada da prefeitura) foram convidados a participar. Segundo ele, agora proprietário de lote, "ninguém produz coisa alguma, apenas um ou outro tem uma hortinha". O triste relato dele montava um cenário dantesco em minha mente. Contou-me que a área desapropriada pertencia a uma fazenda de café, mas como nenhum dos assentados tomou conta, hoje tudo virou matagal ou pasto.

Até quando seremos vítimas - não desse pobre coitado, que não tem noção do que fala - mas do governo perdulário, corrupto e incompetente de Lula e Dilma? Quanto custou ao País aquela fazenda de café ? e outras milhares Brasil afora ? para um assentamento fictício que, todos sabemos, alimenta a esbórnia do exército de desocupados e negociantes corruptos do MST? Sempre soube que o movimento político era uma farsa e que os acampamentos eram compostos por gente sem ligação com terra. Em verdade, são diretamente atrelados às ONG que recebem doações do governo federal e, em troca, disponibilizam-se como o exército campesino pronto para a revolução socialista que está em curso.

Com a história de meu pedreiro, conheci um caso real. Triste, mas real. Sinceramente, a única terra que quero ouvir falar é aquela que vai cobrir, com sete palmos, a sepultura do petismo, antes que o enterro seja o de nossa República.

Ivan Garcia Goffi

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