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Tristeza de "um estranho no ninho"

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 2 min

Arquivo Pessoal

Só Sylvio e a mãe Claudia torceram para o Brasil; o pai Oliver comemorava quando ainda estava 5 a 0

Filho de pai alemão e mãe brasileira, Sylvio Drexler Simonetti, 16 anos, escolheu o lado verde e amarelo para torcer desde o início da Copa do Mundo. Ele mora com os pais na cidade alemã Gau-Odernheim, próxima a Frankfurt, e assistiu à disputa de ontem em um bar de lá, ao lado de amigos e familiares. Mesmo após a goleada vexatória que o Brasil sofreu, o adolescente não desistiu de torcer pela Seleção, demonstrando frustração e nervosismo durante toda a partida.

Sylvio nasceu em Worms, próximo a Frankfurt, na Alemanha. O pai, Oliver Drexler, 48 anos, é da cidade de Gau-Odernheim e a mãe, Claudia Simonetti Drexler, 43 anos, nasceu em Bauru.

Orgulho

Os dois se conheceram na Alemanha e resolveram ficar por lá. Porém, mesmo morando em outro país, Claudia nunca deixou de ter orgulho do Brasil, passando essa admiração para o filho, que fala português fluentemente e defende o futebol brasileiro como se tivesse nascido por aqui.

Sylvio dividiu a atenção da partida decisiva para conversar com a equipe de reportagem do JC durante todo o jogo de ontem via Internet. Talvez foi melhor, uma vez que pôde se distrair diante da grande goleada sofrida pela Seleção Canarinho.

Questionado sobre o clima do bar onde acompanhava a disputa, ele parecia estar um pouco deslocado. “Entre muitos alemães, só eu e a minha mãe estamos com as camisetas da Seleção”, conta.

O pai do adolescente, inclusive, torcia pelo país de origem e já comemorava a vitória dos alemães no início do primeiro tempo, quando a equipe movida por Müller, Klose e companhia, marcou, nada mais, nada menos, do que cinco gols.

Na foto enviada pela Internet, Oliver Drexler já comemorava os tentos. Infelizmente (para nós), ele teve que, no tempo complementar, usar a outra mão para sinalizar o tamanho da vitória.

Surpresa

“Eles estão acabando com a gente”, escreveu Sylvio, assim que os alemães marcaram o quarto gol em pouco mais de 20 minutos, logo no primeiro tempo. O desabafo seco de um alemão com alma brasileira, ou melhor ainda, “um estranho no ninho” não veio acompanhado por qualquer outra palavra até o intervalo da disputa. Silêncio compartilhado por milhões de brasileiros que não sabiam o que dizer.

Na ocasião, o adolescente voltou a conversar com o JC e disse, convicto, que a goleada o deixou nervoso, mas ainda esperava uma virada.

Porém, a expectativa de Sylvio não se concretizou, uma vez que os alemães marcaram mais dois gols e os brasileiros conseguiram fazer apenas um “nos 45 do 2º tempo”, literalmente, totalizando um placar destruidor de 7 a 1 para os adversários da Seleção.

“Não foi desta vez, mas não foi por falta de torcida. Mesmo diante da surpresa do resultado, sempre vou torcer pelo Brasil, que é o País do meu coração”, conclui o adolescente.

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