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Lucas Gabriel de Azevedo, de oito meses, dorme tranquilo na minirrede adaptada à incubadora |
Bebês prematuros que nascem na Maternidade Santa Isabel terão aconchego especial e bem mais confortável que as incubadoras. São minirredes feitas com tecido flanelado, que simulam a posição do recém-nascido na barriga da mãe. O projeto já existe, mas é novidade em Bauru.
A iniciativa partiu da fisioterapeuta da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal da Maternidade, Thaís Francielle Cunha Bazan. Após pesquisas na Internet, ela decidiu colocar a “mão na massa” e produzir, sozinha, duas redinhas para teste.
“Eu vi que funcionava para acalmar a criança. Comprei o tecido cueiro (pano que serve para envolver as nádegas e pernas das crianças recém-nascidas), tipo flanela, e pedi umas dicas para minha mãe, que sempre costura para a família. Depois, levei para a UTI e testei em dois bebês”, contou Bazan.
Um teste foi feito há uma semana e, na última segunda-feira, mais um bebê foi beneficiado com o novo método. “Percebemos que eles se sentiram acolhidos e protegidos na redinha. Nem choraram”, completou a fisioterapeuta.
Após obter resultado positivo no teste, a unidade decidiu ampliar o número de minirredes. “Mandei as duas que fiz como modelo para o setor de costura do Hospital de Base (HB). Agora, serão produzidas mais 50 redinhas”, comemora Bazan.
Surpresa
A novidade surpreendeu não só os funcionários da instituição, mas as mães e familiares dos bebês. A dona de casa Mariana de Souza, 21 anos, aprovou a iniciativa. O filho dela, Lucas Gabriel de Azevedo, nasceu de oito meses e também foi um dos estreantes da minirrede. Mamãe de primeira viagem, ela conta que nunca tinha ouvido falar no método.
“Cheguei em casa dizendo para todo mundo: ‘que lindo... meu neném na redinha!’ Ninguém entendeu nada. Foi então que expliquei que era uma técnica nova para deixá-lo mais calmo e confortável”, contou Mariana.
“Na Maternidade, a enfermeira disse que já fazia duas horas que o Lucas estava dormindo quietinho na redinha. Se adaptou rápido ao ambiente. É como se ele ainda estivesse em meu útero”, definiu.
Auxílio
Além de ser confortável e aconchegante, o método da minirrede serve como auxílio durante o trabalho de recuperação do bebê prematuro. É o que explica o pediatra e diretor executivo da Maternidade Santa Isabel, Antônio Rugolo Junior.
“Tudo fica mais fácil. Na redinha, o bebê fica mais tranquilo e não se estressa quando a equipe for realizar procedimentos como coleta de sangue e medicação. Ou seja, agride menos a criança, justamente porque ela se sente mais confortável”, diz.
Rugolo pretende atingir a meta: oferecer a redinha a todos os bebês prematuros da UTI Neonatal da instituição. “Nos casos mais graves, não tem como utilizar a técnica da redinha. Porém, para os estáveis, a intenção é que eles possam usufruir do método e que isso vire tendência”, pontua.
Como funciona?
A minirrede é adaptada à incubadora, assim como uma rede de descanso comum. No entanto, para proporcionar mais conforto ao bebê, ela é feita com tecido flanelado – pode ser com lã de algodão ou lã de fibra sintética.
O material simula a posição do bebê no útero da mãe. Além disso, a terapia contribui para a organização motora e cognitiva, ajuda na estimulação sensorial, favorece o sistema respiratório e auxilia na habilidade oral-motora.
‘Canguru’
Segundo o pediatra e diretor executivo da Maternidade Santa Isabel, Antônio Rugolo Junior, existem várias técnicas para cuidar de bebês prematuros.
Ele aponta uma bem utilizada, inclusive em Bauru. Trata-se da tradicional “Mãe Canguru”.
“A mãe fica em uma poltrona, ao lado da incubadora, com o bebê deitado sobre sua barriga, pele a pele. Um cobertor ou uma manta reveste o recém-nascido para protegê-lo. Ou seja, ao invés dele ficar dentro da incubadora, fica no peito da mãe. Isso favorece muito na sua recuperação”, explica Rugolo.
Resultado
No entanto, para que se obtenha um resultado positivo com essa técnica, depende da frequência da mãe na UTI. “Quanto mais tempo ela ficar junto ao bebê, melhor. Porém, nem sempre isso é possível. A técnica da redinha, agora, serve como segunda alternativa”, acrescenta o pediatra.
João Rosan |
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A ideia de usar as redinhas partiu da fisioterapeuta Thais Bazan |

