Nem vou falar da derrota de ontem. Vou lembrar "daquele" jogo. Felipão, contra a Alemanha, tentou surpreender. Acho que nem para a mulher dele contou que o levíssimo Bernard entraria para furar o big bloqueio germânico. Tentou vencer nos primeiros cinco minutos, desnorteando o adversário com uma formação tão ágil quanto improvável. Tentou o alto risco para a grande glória. Hoje, assistirá à final de casa, como eu e como você.
Há momentos na vida em que o elemento surpresa pode mesmo fazer a diferença. Aliás, desde criança, somos atraídos pelo que não sabemos. Um presente inesperado, o cãozinho com laço no pescoço, uma bala diferente no bexigão... Depois, ao namorar, ganha crédito quem sabe surpreender a amada. No casamento também, apesar de nossa masculina miopia nesse quesito conjugal.
Numa guerra, também pode funcionar. Como em Pearl Harbor, quando aviões japoneses surpreenderam ao atacar a frota da Marinha dos Estados Unidos baseada no Havaí. Mas nem sempre dará certo. Amigos, como Daniela Bochembuzo, sabem bem qual foi a reação da patroa lá na minha casa quando voltou de viagem e se deparou com jogo de sofá "vermelho berrante" a tomar conta da sala. Tentei surpreender, e consegui: só que negativamente. Precisei trocar o sofá, mas a gafe doméstica rendeu boas risadas.
Rir não foi exatamente o que restou a Felipão. Escrevi nesse espaço que Brasil disputaria terceiro lugar e Alemanha faria a final, apesar de desejar ver a nossa Seleção campeã. Bem, só acertei pela metade: no meu chute, o terceiro lugar seria disputado com a Argentina ? e a taça ficaria entre alemães e espanhóis. Nenhuma surpresa: a Alemanha não cansa de estar perto do êxtase. Um espanto será quando cair na primeira fase.
Conclusão: surpreender é bom, e a Argentina na final é quase uma surpresa, mas é melhor deixar quieto se o altíssimo risco envolver muita gente. No caso de Felipão, envolvia toda uma legião de torcedores. Que, de surpresas, já tem motivo para estar farta até 2018.
O autor é editor executivo do Jornal da Cidade