A Copa termina e estamos vendo tudo do avesso. Enquanto esperávamos o sucesso dentro de campo, já imaginávamos o fracasso fora. Deu o contrário.
Passado o furacão dos 7 a 1, vamos aos cacos. Luiz Felipe Scolari, enfim, ex-técnico da Seleção, decepcionou quando não conseguiu fazer nem aquilo que acreditávamos ser especialista. Em casa, o Brasil não teve alegria.
A verdade é que Scolari perdeu a mão. Quando? Não sei. A maionese desandou de vez no que chamam de “apagão” de seis minutos. Mas em 20 meses, Felipão só colecionou desafetos.
Já durante a Copa, alfinetou Louis van Gaal, técnico da Holanda, que disse que o Brasil teria a chance de escolher o adversário nas oitavas. “Para quem fala isso, eu falo só uma coisa: ou as pessoas são burras ou mal intencionadas”. Scolari falou demais, levou três e ficou com um quarto lugar na Copa.
Teve também o atrito com Delfim Peixoto, ex-presidente da Federação Catarinense de Futebol e vice da CBF. Depois do vexame contra os alemães, Peixoto disse que o técnico não voltaria nunca mais ao cargo. Scolari, retrucou: “Por que vou responder o Delfim? Que o único título de Santa Catarina quem deu fui eu, com o Criciúma. Ele tem que ajoelhar e pedir bênção a mim. Pelo amor de Deus, não ganharam nada, nunca”. Faltou respeito.
Antes, quando reuniu alguns (seis) jornalistas para um bate-papo reservado, foi criticado e rebateu falando grosso: “Ciúme de homem é brabo”, disse, encerrando seu show com uma raivosa assinatura: “Gostou, gostou. Não gostou, vai para o inferno”.
Ontem, Marin aceitou a demissão de Scolari. Um ato típico de um presidente da CBF, velha raposa política, que deu o tempo necessário para blindar o treinador e depois soltar o clássico discurso de que ele “foi exonerado a pedido”.
Fico imaginando como seria o tal relatório apresentado pelo técnico ao alto comando da CBF. Qual seria o conteúdo? Alguém vai ler? Se ler, vai entender? Será que ele existe mesmo?
No fim, os números que pesaram foram apenas dois, Felipão: 7 e 1. Gostou, gostou. Não gostou, vai para o inferno. Nós já fomos.