Cultura

Asas à imaginação

Dulce Kernbeis
| Tempo de leitura: 4 min

Será esta noite o lançamento do livro do jornalista Eduardo Carbone. Mas, ao contrário do que a profissão dele sugere, não será um livro em prosa. “O Pássaro Arcaico” é um livro de poemas. A ideia de escrevê-lo nasceu já na infância: “Era algo muito latente e forte, acredito ter encontrado na forma e no método do poema meu melhor cenário”.

A partir dessa escrita, Eduardo Carbone já teve um conto selecionado na Fase Regional do Mapa Cultural Paulista em 2008, o que serviu de incentivo para continuar. O autor, bauruense de nascimento, formou-se em Jornalismo na Universidade Estadual de Londrina, em 2002, e hoje trabalha em uma empresa bauruense de educação e tecnologia. Além disso, faz o curso de Mestrado em Comunicação na Unesp, onde elabora pesquisa sobre as crônicas “da grande e polêmica escritora Hilda Hilst”.

Independente

Eduardo Carbone, ou simplesmente Carbone, tem esperança, a partir de hoje, que é também a de muitos autores: “Espero que a edição do livro torne os poemas entes libertos e autônomos; que cada leitura diferente, carinhosa e cuidadosa seja alimento para que eles escapem da gaiola da minha cabeça, das minhas gavetas, e possam habitar outras paragens. É uma visão romântica, eu sei. Também sou um ser arcaico como os pássaros do livro, que sobrevoam o mar sem terem onde pousar”.

A propósito, sua empreitada é independente. Ele próprio custeia a obra. “A publicação de poesia por uma editora é, notoriamente, uma empreitada ingrata, atualmente. Dessa forma, custeei a impressão dos exemplares, e foi um prazer enorme poder decidir como seria a capa, o miolo, o tipo de papel, o formato... Se livro pode ser encarado como um filho, este primogênito veio ao mundo como eu sempre sonhei”.

Na entrevista a seguir, um pouco do autor e do que o público poderá esperar na obra que será lançada hoje (vale lembrar que ele já tem o segundo livro, “ também de poemas, pronto, para provável lançamento em 2015”, segundo o autor).

JC - De onde veio a ideia?

Carbone - Surgiu quando eu era bem criança, era algo muito latente e forte. Lembro que logo depois de ser alfabetizado, desenhava e escrevia histórias em quadrinhos em pedaços de papel, depois grampeava tudo e montava meu “livrinho”. Aos poucos, à medida que descobria na escrita possibilidades de invenção que meus desenhos rudimentares (para não dizer toscos!) não acompanhavam, e juntamente com as leituras que iam se adensando, abandonei o desenho e abracei a escrita com paixão. Uma paixão secreta! Desde então, sempre escrevi, e acredito ter encontrado na forma e no método do poema meu melhor cenário, por assim dizer. Sinto que desde muito tempo atrás, talvez desde um tempo de que eu não me lembre, estou elaborando os textos desse livro.

JC – O que o público pode esperar?

Carbone - “O Pássaro Arcaico”, meu livro de estreia, traz 72 poemas, divididos em três partes que podem ser consideradas temáticas: “Ilhas ígneas” eu considero uma “miniautobiografia”, com o mar ao fundo emoldurando a infância em sonho e pesadelo. Em “O Pássaro Arcaico”, que é a segunda parte, a descoberta da palavra, do seu som e sua imagem, inquieta e deslumbra. Em “Um corpo ao nome”, a paixão pelo outro vem à tona com seu caráter ambivalente de algo libertador e aprisionante. Acredito que um ponto em comum, uma unidade no livro, seja a perplexidade - como uma descoberta de criança, mesmo! - diante da criação poética, ou seja, diante da capacidade de a palavra construir uma realidade própria, e de, ao mesmo tempo, ser incapaz de dar conta dessa realidade”.

JC - Qual foi a inspiração?

Carbone – A inspiração, no dia a dia, parece que surge, de fato, de pequenos “gatilhos” que despertam em nós vários movimentos, vários elementos íntimos, numa sincronicidade com o que está ao redor (algo junguiano, com certeza!), e então tudo se casa e significa e facilita a predisposição para criar algo que parece conquistar, por si, um sentido que escapa e extrapola o pretendido. Por exemplo, um grande tema neste livro é o mar, que até pode ser um clichê poético, mas será sempre poderoso e mágico. O primeiro poema mostra o mar e o último, uma gota, ou seja, ao partir do todo para esse recorte mínimo, traço um processo de individuação. Entender-se humano é isso, Jung novamente!

  • Serviço

O lançamento será no Espaço Bangkok Lounge & Bar, na Rua Concórdia, 1-60, Vila Nova Nipônica (região da Vila Independência), a partir das 20h. Preço do exemplar:

R$ 20,00

 

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