Tribuna do Leitor

Triste ilusão


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Acabou... Aquele sonho que parecia tão fácil, que era ter o hexa, termina de forma dolorosa, uma forma amarga e que a cada gol sofrido parecia não uma luz no fim do túnel. Parecia sem querer, uma brincadeira tudo aquilo. Acordem os 200 milhões de brasileiros daquele jogo que parecia pelada de domingo. Acabou! A festa, a alegria e todos os adjetivos bons que existem foram embora junto com todos os recordes brasileiros de uma das melhores defesas, povo mais animado e receptivo.

Doeu na hora, dói agora e vai doer até que algo ou alguém faça a gente esquecer isso. Os pequenos, as crianças chorando e se perguntando: o que aconteceu? Foi tipo aquele amor que você sabe que não dará certo, mas insiste em gostar, uma decepção, um tiro no peito ver cada gol e não poder fazer nada, ficar de boca aberta e sem reação, apenas abaixar a cabeça e querer fugir daquilo, daquele pesadelo que estava difícil de passar. E até eu, noroestino de coração, acostumado com a derrota, não vou engolir essa tão cedo.

O futebol mudou, não está tão mais igual, o futebol "passe a passe" da Espanha, última campeã do mundo, não teve chance. O futebol individual? Nunca existiu e não existe em uma copa do mundo, um campeonato onde cada seleção será marcada pra sua história. Cada erro é marcado pra sempre.

E nem meu bisavô, que tem 94 anos e acompanha a seleção desde 1930, deixou de ser um admirador do futebol alemão, reverenciou Pelé, Maradona, Beckenbauer, o carrossel holandês e agora o trem bavariano.

A moda é futebol coletivo, aliás, o que está dando certo é isso, afinal, não vimos a Holanda, Alemanha e nem mesmo a Algéria depositar todas as fichas em um único jogador. Já o Brasil não, dependíamos muito de apenas um cara, o cara. Que andava sumido e se machucou, nos abandonou e sobrou para jogadores que tinham coração, garra, amor à camisa, mas não tinham experiência e muito menos calma, faltava um cara (que não era o Neymar) que tivesse futebol e boca o suficiente pra deixar os jogadores e a torcida menos aflitos, que aquele primeiro gol era apenas um mero gol, sem absurdos, mas pela falta de um cara desse que no futebol brasileiro está em falta, e desde 2002, quando tínhamos Cafú e Rivaldo, não encontro mais.

Culpados? Não tem ou a culpa não é de ninguém ou de todos, não existem alguém que prejudicou o time em geral. Fred? Talvez escolha errada do técnico ou má fase dele, até porque nem no Fluminense ele estava jogando um futebol "padrão copa do mundo". Arriscaria dizer que tudo deu errado, desde a preparação do time até o clima na granja. Afinal, eles são jogadores e não garotos propaganda, muito holofotes e pouco futebol, talvez se a copa não fosse aqui fosse diferente. Sobre a núvem negra que se formou nos últimos dias, nada planejado; suspensão, contusão e a morte do avô do nossa lateral, afetaram sim nossa seleção, qualquer seleção em que acontecesse isso daria errado.

A questão é que o time não estava pra ser campeão, e a única "salvação" saiu machucado.

Nos enganamos por meses achando que a nossa seleção ia conseguir alguma coisa, fomos passando e mais uma vez nos iludimos achando que jogos contra "grandes seleções?? faria ganharmos da Alemanha, a única seleção que entrou pra ganhar e que ia enfrentar o Brasil. Mas, de verdade?

Essa continua sendo a copa das copas. Surpreendendo a todos, com placares diferentes, seleções ousadas onde o pequeno bate de frente com o grande, onde zebras aparecem e batem o pé querendo ficar, quebra de recorde de artilheiro e até mordida.

Tenho um nó na garganta escrevendo isso, mas somos brasileiros, nosso lema é não desistir nunca, e não vamos mesmo! O país do futebol continua sendo o mesmo, mas com uma derrota feia no currículo, todo vencedor tem seu revés algum dia em sua história. Somos pentacampeões, os únicos. Isso há de nos orgulhar.

Loucura é dizer que não foi bacana, que não valeu a pena esse mês, e dessa vez não foi para as mãos do Brasil, mas ganhou o melhor futebol, com os alemães está em boas mãos, com os verdadeiros donos da bola, os merecedores, os campeões.

Marcos Cassiano

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