Depois de viajarem juntos e dialogarem (África do Sul, nos funerais de Mandela) os dois ex-presidentes e maiores líderes políticos do Brasil estão novamente envolvidos em um debate. FHC, em artigo na imprensa, diz que aconselhou Lula a "virar a página do mensalão", mas Lula insiste em dizer que o mensalão não existiu e ainda que todos fazem isto. Lula afirma ainda que não lê FHC, como se a leitura fosse seu hábito.
FHC, embora adversário, elogiou a eleição de Lula e o fato de ser sucedido pelo líder operário e mesmo assim Lula sempre demonstrou um certo ciúmes da erudição de seu antecessor, pelo qual foi duas vezes derrotado de forma arrasante e no primeiro turno, coisa nunca digerida por Lula, que chama de herança maldita a estabilização econômica do real. Que permitiu os avanços sociais e a popularidade de seu governo, inclusive.
De quebra, Lula tomou posse de programas sociais já existentes no governo FHC, rebatizando como bolsa família e negando a autoria de dona Rute Cardoso, de longe a mais preparada primeira-dama do Brasil, contrastando com a limitada Mariza Leticia.
Ambos já marcaram a história, Lula como o maior líder popular e FHC como o maior estadista. Infelizmente a falta de preparo de Lula não permite que ele reconheça isto e continue com o complexo de vira lata em relação ao seu antecessor.
Pior ainda, pela popularidade Lula influencia a população que não reconhece o exemplo de FHC e busca o sucesso rápido pelo atalho da sorte, como Lula, e não pelo preparo que caracteriza FHC.
Márcio M. Carvalho