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Serviços específicos na ponta dos dedos

Dulce Kernbeis
| Tempo de leitura: 3 min

É justamente em busca do público da terceira idade - que só aumenta - que serviços de conteúdo específico são lançados, especialmente os focados em saúde e qualidade de vida. Gente como Dráuzio Varella, o renomado médico do Fantástico, faz parte de um serviço de assinatura com dicas, recomendações e orientações sobre saúde em geral.

A ele se juntam o médico e sexólogo  Jairo Bauer; o médico Marcio Atalla, nutricionista do programa que emagreceu Ronaldo; a fisioterapeuta Solange Frazão, com seus programas de exercícios físicos, entre outros. Não faltam programas de combate ao estresse, exercícios e programas de boa forma, conselhos sobre sexualidade, qualidade de vida, beleza e bem-estar.

Só uma das operadoras de celular já conta com mais de um milhão de assinantes dos chamados “mobile health”, ou saúde móvel, em tradução livre. Os serviços sempre ficam disponíveis pelo SMS, MMS e site mobile, e em geral o preço não passa de R$ 3,00 por semana.

“Nosso objetivo é complementar os canais já existentes e, em breve, lançaremos novas interfaces com conteúdos de voz e aplicativos para os nossos serviços neste segmento. Nosso portfólio contará, ainda, com um serviço de atendimento especializado por profissionais da saúde”, diz Alexandre Olivari, diretor de SVA - Serviço de Valor Agregado, que atua no setor.

Outro serviço bastante acessado por essa faixa etária é o de receitas - Ana Maria Braga, da Rede Globo, e Edu Guedes, da Record, estão nesse tipo de programa.


10% dos celulares

Os idosos brasileiros que possuem celulares formam um grupo que representa quase 10% do total de pessoas que utilizam o aparelho, segundo dados processados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As informações constam da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) referentes a 2012. No ano, os indivíduos com mais de 60 anos que possuíam um telefone celular para uso pessoal somavam 12,1 milhões de pessoas, ou 9,8% do total.

No Sudeste (10,48%) e Sul (11,3%), o batalhão de pessoas com celular na mão e mais de 60 anos de vida já são mais de um décimo do total. Esses grupos são compostos por 7,5 milhões e 2,6 milhões de pessoas, respectivamente.


Aposentada, aprendiz e curiosa sempre

M. L. Z., mais de 60 anos, aposentada, ano passado considerou que não poderia ficar fora do Facebook. Todas as suas amigas navegavam. Com tempo de sobra, ela também queria baixar músicas e não ficar dependendo do genro para ter um pendrive com os hits preferidos e tocar no rádio do carro. “Não que ele não fizesse para mim, mas eu não sabia baixar um arquivo em MP3 e tinha sempre que incomodá-lo. Isso me deixava constrangida”, conta. Além disso, sempre via as amigas comentando o que viram no Face, como se comunicavam umas com as outras “e eu mal sabia o que era um email”.

As outras duas  filhas toparam dividir o computador principal de casa com ela. Aliás, uma máquina quase sempre ociosa, porque cada uma tem seu notebook. Mas nenhuma delas foi eficiente na hora de ensinar.  “Isso não dá certo, é como o marido ensinar a mulher a dirigir, dá briga em família”, disse ela. Por essas e outras ela contou com a ajuda de uma amiga, expert em navegação e professora nas horas vagas.

Cinco aulas, de duas horas uma vez por semana, foram suficientes. A aposentada hoje admite que manda muito bem na internet. “Sou curiosa, quero saber de tudo e vou experimentando. E dá certo, chego onde eu quero”, argumenta, feliz da vida, por virar “internetiana”. Às vezes ainda pede apoio das filhas. “Mas na maioria do tempo me viro muito bem, obrigada”. Só não quer aparecer... “Nada de foto e colocar meu nome, senão vão falar que estou me envaidecendo, que sou metida. E depois, o legal da internet é isso, a gente não fica tão exposta”, justifica.

 

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