Polícia

Vândalos não desistem de bosque


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Um local que deveria ser de lazer e beleza. Contudo, fica no “deveria”. É assim o bosque Eliseu Victor Fornetti, no Parque União, em Bauru. O cenário é de cercas, portões e equipamentos destruídos, lixo espalhado e até preservativos usados. Além disso, a área é, conforme reclama a população, utilizada por usuários de drogas em pleno dia.

 

A reportagem visitou o bosque após carta publicada na Tribuna do Leitor do JC. Ontem, a equipe presenciou grande parte dos problemas citados. Apesar de os outros bosques em Bauru não estarem em condições tão precárias, fica claro que não eles não são, nem de longe, uma prioridade do poder público (leia mais abaixo). 

 

Segundo o servidor público federal Raeder Puliesi, 35 anos, frequentador do bosque do Parque União há quatro anos, os equipamentos da academia ao ar livre e do playground sofreram com a ação de vândalos logo depois da inauguração, no ano passado. “O uso de drogas ocorre durante o dia”, explica Puliesi, que mora na região há oito anos.

 

O servidor público frequenta o bosque com os dois filhos Pedro, 7 anos, e Davi, 3. Muitas vezes, ao sentir o cheiro das drogas, as crianças questionam o pai, que fica sem reação. “É uma situação constrangedora, mas eu continuo trazendo os meninos para cá, porque não existe outro espaço na região”, pontua Puliesi. Ele defende também que haja vigilância no endereço para coibir a ação de vândalos.

 

De acordo com a assistente social Suellen Chioda, 24 anos, os equipamentos da academia ao ar livre e do playground são frequentemente depredados. “Os aparelhos, além de estarem um pouco danificados pelo uso, são alvos de vândalos, fato que revolta os moradores da região”, conta a jovem. Ela acompanha os moradores do abrigo para idosos da Associação Beneficente Cristã, o Paiva, que utilizam a academia do espaço diariamente.

 

REIVINDICAÇÕES

 

O bosque do Parque União possui uma trajetória antiga de reivindicações em relação à necessidade de urbanização. No ano passado, contudo, o espaço ganhou projeto de revitalização, que contemplou a instalação de uma academia ao ar livre, um playground e uma pista de caminhada. Para tanto, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) contou com o auxílio da Secretaria Municipal de Obras no que diz respeito à mão de obra e ao apoio de empresas, que emprestaram algumas máquinas.

 

Valcirlei Silva, titular da Semma, alega efetivo baixo e orçamento apertado para uma solução mais direta dos problemas do bosque. “Não temos funcionários suficientes para cuidar da vigilância de todos os espaços, mas eles passarão a fazer rondas”, promete o secretário. 

 

Sobre os equipamentos, o titular da pasta esclarece que tem o apoio da Secretaria Municipal de Obras para a manutenção, contudo, adianta que o órgão está apurado com outras demandas. “Não temos previsões para a compra de novos equipamentos, mas, aos poucos, pretendemos cuidar daqueles que já estão instalados”, argumenta Silva.

 

Bosques não são uma prioridade

 

O titular da Semma, Valcirlei Silva, reconhece que a pasta possui outras prioridades e que o investimento nos bosques acaba ficando em segundo plano devido à falta de recursos. Além do espaço do Parque União, Bauru conta com outros quatro: o bosque do Núcleo Geisel, o da Comunidade do Jardim Dona Sarah e outros dois que ainda não urbanizados, localizados no bairro Quinta Ranieri e no Núcleo Edson Francisco da Silva, o Bauru 16.

 

“Estes dois últimos não contam com qualquer tipo de equipamento. Temos ideia de fazer pista de caminhada, instalação de playground e academia ao ar livre, mas não sabemos quando conseguiremos executar”, observa Silva.

 

Dos que já estão urbanizados, o que apresenta melhores condições de uso é o da Comunidade. Conforme a reportagem pôde constatar, equipamentos como playground, iluminação, bebedouros e pista estão em boas condições.

 

Durante o dia, o espaço conta com vigia e fecha no período da noite. “A gente sabe que ainda há quem pule o alambrado para uso de entorpecente e prostituição, mas, no geral, o lugar não sofre com tantos problemas”.

 

Já o bosque do Núcleo Geisel, embora mais bem preservado do que o do Parque União, não conta com lâmpadas nos postes e está com a pista de caminhada tomada por folhas e buracos. As telhas da cobertura de uma das entradas estão em péssimo estado de conservação e trechos dos alambrados estão rompidos, embora o bosque não feche durante a noite.

 

Segundo o morador Valter Baptista, 55 anos, a situação só não está pior devido ao esforço da comunidade, que desempenha o papel de fiscalização, organiza eventos e, por inúmeras vezes, providencia a manutenção do espaço por conta própria. “Quando não, nos mobilizamos para reivindicar melhorias junto à prefeitura. Existe uma pressão para que as coisas aconteçam e o bosque não fique abandonado”.

 

E a quadra?

 

Os frequentadores do bosque do Parque União também ficam incomodados com as deficiências na quadra de esporte. Lá, apenas um lado possui trave de futebol e tabela de basquete, porque os equipamentos foram arrancados da outra parte. 

 

Segundo o titular da Semma, Valcirlei Silva existe um projeto de revitalização da área, mas depende da disponibilidade da Secretaria Municipal de Obras, que fornece máquinas e mão de obra, para colocá-lo em prática. “Não é sempre que eles conseguem nos ajudar, porque a demanda de serviço da pasta também é muito grande”, reitera.

 

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