Um homicídio com um final duplamente trágico ou uma ironia do destino? Cerca de 40 minutos após Alexander Braz Fernandes, de 31 anos, matar a facadas seu desafeto em um bar, ele morreu atropelado enquanto fugia do local do crime.
O assassinato de Luciano Riberio, de 35 anos, que chocou moradores do Núcleo Mary Dota – local onde o fato ocorreu - em maio deste ano, foi esclarecido, ontem, pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG) da Central de Polícia Judiciária (CPJ).
Até então, a polícia não imaginava que o acidente registrado na rodovia Marechal Rondon, na altura do Jardim Araruna, naquela mesma noite, pudesse se relacionar com o quebra-cabeça que se formou em torno do homicídio.
Crime e castigo
Luciano Ribeiro, conhecido como “Neguinho”, foi morto com cinco perfurações. O crime ocorreu por volta das 22h do dia 7 de maio, próximo a um bar existente na quadra 6 da rua José Ambrósio.
Na ocasião, o autor do homicídio fugiu. Contudo, algumas pequenas informações davam conta do tipo de roupa que ele usava, além do fato de que seria irmão de um rapaz conhecido como “Formiga”, pistas que deram início às primeiras buscas no bairro.
Na mesma noite, cerca de 40 minutos depois, a Polícia Rodoviária atendia a um chamado no quilômetro 343 mais 700 metros, da rodovia Marechal Rondon, onde um homem, não identificado, teria morrido atropelado por um coletivo da prefeitura municipal de Arealva.
Ele teria sido colhido pelo veículo enquanto pulava uma mureta de concreto que divide as duas pistas, na altura do Jardim Araruna. O caso, até então, era um mistério, já que a vítima não portava documentos.
Informações
Em posse do apelido do possível irmão do autor do crime, a polícia conseguiu cruzar dados em seu Sistema Central de Inteligência e Reconhecimento (Scire, que foi tema de reportagem divulgada pelo JC ontem) chegando até a identificação do suposto assassino.
“Tanto o Alexander quanto o seu irmão estavam cadastrados em nosso sistema por conta de outros crimes. Pegamos o endereço da casa dele e fomos até lá. Foi quando a mãe do próprio acusado acabou confessando que seu filho tinha morrido em um acidente, há alguns dias, após matar uma pessoa”, explica o delegado titular da DIG, Kleber Granja. “Então, confrontamos o que ela disse, com a imagem dele no sistema e com as pistas em relação às vestes colhidas pela PM no local, além das informações da vítima do atropelamento. Tudo bateu”, completa.
No dia do crime, Alexander teria brigado com Luciano no bar e, instantes depois, ido até sua residência, onde apoderou-se da faca. “A mãe dele disse que ele estava com um ferimento no supercilio e dizendo iria matar alguém”, relata o delegado.
Autor do assassinato recebia ameaças de morte
De acordo com Kleber Granja, as investigações apontaram que Alexander vinha recebendo ameaças de morte por telefone. “Ele era usuário de drogas e também vinha enfrentando problemas com bebida alcoólica”, pontua Granja.
Fatos estes que levam a polícia a acreditar que o crime tenha ocorrido em virtude de dívidas com traficantes.
Luciano era egresso do sistema prisional de Barretos desde fevereiro e estaria atuando como ajudante em um ferro velho, próximo ao local onde o assassinato ocorreu.
“As investigações apontam que ele estava envolvido com o tráfico de drogas. Portanto, a nossa linha de investigação é de que a briga no bar tenha começado por cobranças feitas pelo Luciano ao Alexander”, aponta o delegado.
Legitima defesa?
O fato do autor ter sido ferido ou mesmo ter recebido ameaças de morte, segundo o delegado, não excluiria a responsabilidade diante do assassinato. “O homicídio ocorreu por motivo fútil e por meio que impossibilitou a defesa da vítima, que foi golpeada nas costas e no antebraço, locais que mostram que ele até tentou se defender”, afirma Granja.