Internacional

Israel intensifica ataques em Gaza

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Suhaib Salem/Reuters

Explosão em bairro Tuffah, durante ataque aéreo de Israel, ontem

Israel destruiu a única usina de energia de Gaza e atingiu dezenas de outros alvos prioritários ontem, enquanto mediadores egípcios preparavam uma nova proposta para pôr fim à guerra contra os militantes islâmicos no enclave.

A rede de TV israelense Channel Two informou que tem havido progresso em um acordo no Cairo, onde uma delegação palestina é esperada ainda ontem, embora a emissora tenha negado um relato anterior de que uma trégua tinha sido acordada provisoriamente.

A ofensiva israelense se intensificou após a morte de 10 soldados em ataques palestinos na fronteira na segunda-feira, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, alertou que antevê um longo conflito.

Mas os militares disseram precisar de cerca de uma semana para finalizar sua missão principal – destruir os túneis na fronteira que os militantes do Hamas usam para se infiltrar e atacar israelenses.

Já Mohammed Deif, líder do braço armado do Hamas, disse em uma mensagem de voz que os palestinos continuarão enfrentando Israel até que o bloqueio a Gaza - que é apoiado pelo vizinho Egito - seja retirado.

1.156 mortos

Mais de 100 palestinos podem ter sido mortos depois que Israel intensificou o bombardeio contra Gaza ontem, segundo uma autoridade da área da Saúde. Funcionários da ONU podem estar entre os mortos.

Houve vários casos em que o número diário de mortos Gaza superou 100 nas mais de três semanas de conflitos entre Israel e o Hamas. Israel perdeu 53 soldados até agora, junto com dois civis e um cidadão tailandês.

Sem energia

Disparos de um tanque israelense atingiram ontem o depósito de combustível da única usina de energia da Faixa de Gaza, interrompendo o suprimento de eletricidade para a Cidade de Gaza e várias outras partes do enclave palestino de 1,8 milhão de habitantes.


Líder iraniano chama Israel de ‘cão raivoso’ e pede ajuda para armar os palestinos

O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, chamou Israel ontem de “cão raivoso” por seus ataques a Gaza, e exortou os muçulmanos a armar os palestinos e capacitá-los a combater o que ele chamou de genocídio.

Em um discurso marcando o fim do mês de jejum muçulmano do Ramadã, Khamenei criticou os Estados Unidos e os países europeus pelo que ele disse serem esforços para limitar a capacidade militar dos combatentes palestinos no enclave.

Sobre Israel, ele disse: “Este cão raivoso, este lobo voraz, tem atacado pessoas inocentes e a humanidade deve apresentar uma reação. Isto é um genocídio, uma catástrofe de escala histórica.”

“Eles estão atingindo pessoas inocentes dia e noite e estes homens, mulheres e crianças estão se defendendo com meios mínimos, e agora americanos e europeus querem tirar até isso deles... para que essas feras impiedosas possam atingí-los sem preocupações.”


Chile e Peru convocam embaixadores

Os governos do Chile e do Peru anunciaram ontem que convocaram seus embaixadores em Israel para consultas.  A medida ocorre após a intensificação da ofensiva israelense em Gaza.  O governo chileno expressou ainda “preocupação com as operações israelenses” e qualificou-as como “um castigo coletivo à população civil palestina em Gaza”.

A nota também condenou o “lançamento de foguetes da faixa de Gaza a Israel” mas enfatizou que “a escala e intensidade das operações israelenses em Gaza viola o princípio da proporcionalidade no uso da força, um pré-requisito para justificar a autodefesa”.

O comunicado não especificou que outros países da região coordenaram a ação com o Chile, além do Peru.

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