1906 - Marco de significativo crescimento e desenvolvimento da nossa querida Bauru. Uma grande conquista para o pequeno povoado da época, já que ricas regiões, por intermédio de seus políticos mais influentes, defendiam outros traçados para a ferrovia junto ao governo federal. Nossa eterna gratidão aos que se empenharam em desviar a ferrovia, pois não mais tivemos acontecimento de igual envergadura, capazes de alavancar Bauru e grande região.
Passados 109 anos do início da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil e, aproximadamente, 75 anos da entrega do majestoso edifício que abrigou as três companhias (NOB, Sorocabana e Paulista), o abandono em que se encontra a histórica e invejável estação ferroviária da cidade de Bauru após 26 anos de desativação é preocupante.
Ao unificar as ferrovias administradas pela União em uma empresa de economia mista, o governo federal criou, no início dos anos 50, a Rede Ferroviária Federal S/A (RFFSA). Com a RFFSA a todo vapor, Bauru corria nos trilhos da prosperidade, o comércio se agitava, famílias para cá se mudavam, grandes lojas eram instaladas, enfim, vivíamos o êxtase da ferrovia, na época o maior campo de empregos da cidade e toda região.
A importância em ser funcionário da RFFSA fazia parte dos sonhos de muitos jovens. Desativada desde 1988, a história da ferrovia lentamente começou a ser apagada de nossas memórias. Talvez nossos trens nunca mais voltem a circular, mas bem que poderíamos voltar a circular por toda esplanada. Já se falou em transformá-la em sede da secretaria municipal de Educação, shopping popular, centro educativo e até em central de serviços públicos, porém, nenhuma das ideias prosperou. A única certeza é: o prédio está a se desmanchar e sem destinação.
Diante do exposto, sugerimos aos nossos governantes e autoridades competentes que busquem apoio junto aos governos Federal e Estadual com a finalidade de transformar toda aquela área em um grande terminal de ônibus urbanos e interurbanos, com aproveitamento de parte da esplanada e destinação do prédio da estação para fins comerciais, priorizando nossos valorosos vendedores os conhecidos Camelôs, que assim estariam conquistando um espaço com grande movimentação abrigados do sol, da chuva entre outros contratempos. Oportunidade para se resolver uma questão social e importante medida para liberação definitiva dos passeios públicos de nossas ruas centrais.
Com certeza aquela parte da cidade é hoje um setor extremamente negativo para o centro de Bauru, acreditamos que medidas tomadas nesse sentido beneficiam todo o entorno, os primeiros quarteirões da Batista de Carvalho, Rodrigues Alves e Pedro de Toledo ressuscitariam, premiando nossos heróicos irmãos que ali bravamente buscam pelo pão de cada dia. O governo federal privatizou a ferrovia entregando toda malha e seus pertences a terceiros que usaram, abusaram e nada investiram.
Como Bauru é fruto dessa ferrovia, a privatização nos descarrilou, o governo tem parte no descaso e deve nos indenizar, destinando a verba necessária para a eternização da área que entendemos ser a certidão de nascimento de nossa querida Bauru.
Nivaldo Rezende - corretor de imóveis