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Só março teve chuvas acima da média, diz Sabesp

Por Fabrício Lobel | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

O sistema Cantareira recebeu nos primeiros sete meses de 2014 apenas 58% do volume de chuva esperado para o período, o pior em 11 anos, segundo dados da Sabesp. Foram 533 mm de chuva de janeiro a julho, ante média de 916 mm no mesmo período registrada na série histórica divulgada pela companhia, desde 2003.

Segundo a empresa, a falta de chuva e de entrada de água pelos rios que alimentam o sistema são as principais explicações para a pior crise de abastecimento da Grande São Paulo em 80 anos.

Especialistas, no entanto, dizem que medidas estruturais poderiam ter reduzido a dependência das chuvas.

Entre elas, citam obras de interligação dos diferentes sistemas que abastecem a Grande São Paulo, o que poderia aumentar a capacidade de distribuição da água por diferentes regiões.

E também a construção do sistema São Lourenço, que trará água do interior do Estado e já deveria estar pronto. A nova previsão de conclusão das obras, em fase de licitação, é final 2018.

A crise de abastecimento vem desde o final de 2013, quando as chuvas que eram esperadas no verão não caíram sobre o Estado de São Paulo. São justamente essas as chuvas que têm o maior impacto sobre o abastecimento do manancial.

Em 2014, o único mês que choveu acima da média no Cantareira foi março, com 23% acima do esperado.

O volume de chuva do fim do inverno e do início do outono, no entanto, não foi capaz de compensar meses de chuva fraca, de evaporação das águas das represas e de nutrir o solo que ficou seco, o que dificulta o armazenamento de água. Com o inverno, outros fenômenos climatológicos aumentaram a estiagem.

Segundo meteorologistas, o rápido aquecimento das águas do Pacífico fez com que o fenômeno do El Niño barrasse a entrada de chuvas pelo Sul do Brasil, durante o começo do inverno.

O fenômeno meteorológico perdeu força, mas a característica da estação fez com que outros bloqueios se formasse no Sul do país. Com isso, os dois primeiros meses da estação mais fria e seca do ano tiveram índices de chuva ainda mais baixos do que o normal.

"Temos que entender que esses meses já são considerados secos. Seria muito otimismo esperar que a eventual chuva do inverno fosse compensar um verão de estiagem e encher os reservatórios da Grande São Paulo", disse Samantha Almeida, meteorologista da USP.

Atualmente, segundo a Somar Meteorologia, uma massa de ar quente e seca estacionada sobre o Rio Grande do Sul deve alongar ainda mais a estiagem no Sudeste.

Um regime de chuvas grande o suficiente para abastecer os reservatórios do Estado só deve surgir a partir do mês de setembro.

É com esse prazo que a Sabesp trabalha, esperando que as chuvas da primavera amenizem a crise de abastecimento hídrico em São Paulo.

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